A caridade é um bom exercício para encontrar a harmonia interna

Estamos vivendo momentos onde a caridade tem sido feita de forma mais intensiva devido a tantas pessoas com dificuldades de sobrevivência nesse momento de pandemia. A caridade talvez seja uma das virtudes mais nobres pois beneficia a quem precisa e a quem a pratica. A caridade material é essencial porque ajuda aqueles que estão com dificuldades de sobrevivência.

Além da caridade material temos também a caridade imaterial, de doar o que somos, nosso tempo, nossa escuta, nossa paciência, nosso perdão, nosso silêncio com as dificuldades do outro, nosso respeito pelo que o outro sente, pensa, e faz, mesmo que não concordemos.

A caridade imaterial na verdade é fazer pelo outro o que nós gostaríamos que fosse feito para nós, ou seja, que sejamos aceitos como somos. Então, podemos pensar que o autoconhecimento e autoaceitação são também um ato de caridade consigo mesmo e com o outro. O filósofo Jean Paul Sarte dizia que “O homem não é nada, além daquilo que faz a si mesmo”.

A caridade de aceitar a si mesmo com as imperfeições e dificuldades que ainda temos, e buscar nossa melhora e mudança, não é um trabalho muito fácil, e no que se refere a aceitar as imperfeições e dificuldades do outro é um trabalho ainda mais difícil para nós, é preciso fazer um grande esforço porque tendemos a ter o outro como causa dos nossos enganos. Citando ainda Sartre, “Os outros são o inferno”.

Se não trabalharmos a nós mesmos, buscando o autoconhecimento e autoaceitação, não aceitaremos o outro como é. O que me incomoda no outro, são questões minhas, se refere a mim. O outro é o meu espelho, as vezes é muito difícil ver isso, quando não tenho muita consciência de quem somos nós.

Freud disse que “Quando Pedro me fala sobre Paulo, sei mais de Pedro que de Paulo”, ou seja, quando falamos do outro, falamos pelo viés do nosso próprio entendimento, e isso se refere a nós, existe algo que na verdade é nosso na referência ao outro.

Um bom exercício para encontrar a nossa harmonia interna é o exercício da caridade, com a gente mesmo e com o outro. Ter perseverança na busca de si mesmo pode nos trazer consciência de quando escorregamos nos próprios pensamentos, sentimentos, emoções, atitudes e comportamentos, e recomeçar. Ter compaixão com as dificuldades do outro, com as questões que já compreendemos e o outro ainda não.

A atitude de entrar em confronto uns com os outros, criando desavenças e inimizades, fala muito do lugar do autoabandono, imaturo e robotizado em que vivemos. A vida passa muito rápido, não vale a pena ficar agarrado em situações que trazem conflitos.

Solidariedade e compaixão, eis um bom roteiro. A vida nos convida ao exercício diário do amor e da caridade. Que possamos escutar esse convite, lembrando sempre que o outro tem dificuldades e necessidades assim como nós.

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