A irracionalidade criminosa da violência doméstica

Um crime que acaba acontecendo, infelizmente, de forma corriqueira, é o de violência doméstica. Não se passa nem um dia sem que tenhamos notícia de algum tipo de agressão contra as mulheres. A Lei Maria da Penha, considerada uma das melhores do mundo, apesar de ser um instrumento valioso para combater este tipo de crime, ainda encontra dificuldades na prática. As mulheres continuam sofrendo nas mãos de perversos e covardes, os quais não respeitam os direitos básicos que qualquer ser humano, com um mínimo de bom senso, deveria preservar.
O Caso Bruno volta nos lembrar do homicídio contra Eliza Samudio, ocorrido há 11 anos, onde agora mais um envolvido como acusado é levado à júri. Promotor de Minas Gerais vira réu como suspeito do crime de homicídio contra a esposa em Belo Horizonte. No Barreiro, três mulheres foram vítimas de tortura através de chicotadas por um “Tribunal do Crime”, por terem desrespeitado os criminosos. E por ai vai a história para nos envergonhar da forma leviana como tratamos as mulheres em nosso País.
A violência doméstica contra a mulher é definida como qualquer ação ou mesmo omissão, baseada no gênero feminino, que venha a lhe causar, sofrimento físico, sexual, psicológico, lesão, morte, dano moral ou ao seu patrimônio. Com a Lei Maria da Penha em vigor, hoje muitas pessoas já entendem que “em briga de marido e mulher não se mete a colher”, como uma frase totalmente ultrapassada, e SIM, devemos denunciar sempre que tivermos a oportunidade de presenciar tais atos insanos. É um grande problema social, onde a intervenção do estado deve se fazer presente, com a polícia, Ministério Público e Poder Judiciário, e o autor ser punido para que sirva de advertência aos demais.
Muitos homens dizem que esta lei beneficia muito as mulheres não tendo a mesma preocupação com o sexo masculino. O que acontece é que as primeiras são historicamente discriminadas, tendo oportunidades desiguais e assim, a Lei Maria da Penha foi criada para tentar esta correção e a incluí-las socialmente. Mulheres podem hoje votar, serem votadas, trabalhar fora de casa, sustentarem também o lar, e assim ganhar as mesmas condições dos homens que sempre lhes foram retiradas.
Uma legislação que resguarda as mulheres, atua no sentido de que estas tenham proteção e possam viver dignamente, o que acaba ocorrendo desigualdade quando ela é vítima de violência doméstica. Elas tem o direito à saúde, vida e a integridade física, psicológica, no entanto, quando o homem, por qualquer que seja o motivo, entende que por ter mais força física pretende causar danos à sua companheira, a presença do estado, através de seus órgãos e legislações, procura minimizar os danos a elas causados.
O preocupante é que, na maioria das vezes, a violência doméstica se passa no interior de lares sem que ninguém fique sabendo ou que possa ajudar. Portanto, o que se espera é que as próprias vítimas tenham a coragem de denunciar quem a agride, única forma do aparato estatal entrar em ação e tentar protegê-la.
E como podemos impedir realmente que estas violências continuem acontecendo? É desde cedo, instruindo os jovens sobre a igualdade que deve existir entre o sexo masculino e feminino, onde todos devem merecer o respeito e a mesma consideração. Isto deveria começar nas escolas, e ainda temos um longo caminho a percorrer até que consigamos atingir esta igualdade e acabe por completo, por alguns homens, o ódio pelo sexo oposto, neste caso, a mulher.

@elsonmatosdacosta

Fonte: Violência doméstica contra a mulher. Regiane Cristina Arjona. Artigo de 06/2019, retirado da Internet.

Imagem em destaque: Tumisu por Pixabay.