A morte que cala a emoção do clássico

Atlético x Cruzeiro ou Cruzeiro x Atlético mexem com as emoções dos torcedores mineiros há mais de um século. Diante de tamanha paixão de milhões de pessoas, o domingo dia 6 de março de 2022, deve ser dedicado à voz de um pai. Um pai que perdeu um filho para a estupidez humana. Perdeu um filho que já sabia que estava em risco. Perdeu um filho para as torcidas organizadas. Neste cenário desolador de dor e morte, os gols, a festa da torcida, a polêmica, o bom exemplo das diretorias, a festa, o resultado em campo e tudo mais que cercou mais um clássico mineiro deve ser deixado de lado. Nada mais importa. Importa sim a voz e as palavras duras de um pai, consciente e triste após perder um filho de 25 anos que deixa uma criança de 5 anos órfã por causa de uma briga de torcidas organizadas nas ruas da nossa regional Leste, do bairro Boa Vista.

Com a palavra Ademar Eustáquio Andrade, de 52 anos, pai do torcedor Rodrigo Marlon de Andrade, de 25 anos, morto com um tiro nas ruas do bairro Boa Vista, na manhã do domingo, após uma briga agendada pelas redes sociais entre as torcidas organizadas Máfia Azul e Galoucura:

 – “Nessa vida, infelizmente temos que estar preparados para tudo. A gente vê acontecendo com outras famílias, nunca imagina que vai acontecer com a nossa. E hoje aconteceu comigo. Deixo um conselho para quem faz parte de torcida organizada, que seja Máfia Azul, Galoucura, Coelhada: foge disso enquanto é tempo. Muitas famílias já choraram e hoje a minha família está chorando. Amanhã, com certeza, outras famílias vão chorar – tanto de um lado quanto do outro- porque é guerra, eles marcam guerra”

 – “Sai desse negócio de torcida organizada. Não tem problema você torcer para time de futebol, mas tem que saber torcer”.

– “Torcida organizada, os caras vão para o tudo ou nada. É difícil falar nessa hora, mas torcida organizada pra mim é tudo bandido. A gente sabe que no meio de torcida organizada – nunca fui, mas fiquei sabendo – rola de tudo: droga, orgia. Os camaradas são treinados para ter ódio. Para pegar a torcida rival, pegar, machucar e matar. Ir para o tudo ou nada”

– “Com quem ele brigou, com quem foi, eu não quero saber. Quem que fez, não quero saber. Só sei que – com certeza ele já deve ter participado de muitas outras coisas que fez com as outras pessoas. Ele colheu o que plantou. Conselho não faltava para sair disso”

– “A gente aconselhou, aconselhou, aconselhou; falou, falou, falou”.

@armandoBH69

Imagem em destaque: Redes Sociais.