A Santa Casa das Sete Mulheres

Ao longo desse primeiro ano de pandemia do novo coronavírus os profissionais da saúde da Santa Casa, maior hospital público de Minas Gerais e 100% SUS, salvaram milhares de vidas. Entre eles, sete enfermeiras que coordenam as alas de isolamento da instituição.

Desde o dia 16 de março de 2020, Nayara Damasceno, Alsiney de Souza, Raiane Jacinto, Salma Attoni, Ludmylla Magalhães, Ana Paula Mota e Stefany Lima vivem a rotina de organizar as equipes que atuam no atendimento aos pacientes com COVID19.

Da frente para o fundo: Raiane, Salma, Nayara, Alsiney, Stefany, Ludmylla e Ana Paula. Foto: Christiano Senna

Elas acompanham o dia a dia das alas de isolamento respiratório em quatro andares e são uma das pontes entre as decisões da alta gestão da instituição e a linha de frente. E, à medida que a pandemia se prolonga, as sete encaram desafios na vida profissional e na vida pessoal. Raiane precisou adiar o sonho do casamento, Alsiney perdeu parentes vítimas de COVID-19, Ludmylla, Ana Paula e Stefany convivem com a preocupação com suas famílias, e Salma e Nayara vivenciam de perto toda a intensidade do que acontece no CTI.

 A coordenadora Salma relata que jamais imaginou viver uma pandemia e ainda mais de forma tão intensa como vem sendo. “Após um ano do primeiro paciente admitido, lembro da taquicardia daquele momento. Tudo era desconhecido. Até colocar o capote era tenso. Hoje, apesar de todas as dificuldades e tristezas que vivenciamos, podemos olhar para trás com a certeza de que tudo valeu a pena”.

A coordenadora Salma não imaginava viver tudo isso. Foto: Christiano Senna

O relato das sete profissionais

“A COVID-19 alterou a maneira de viver e trabalhar, trazendo impactos. Em relação à vida profissional, a pandemia marcou uma verdadeira mudança no modelo de trabalho, fazendo com que saíssemos da zona de conforto e que tenhamos que pensar “fora da caixa”, ou seja, correr atrás de novos conhecimentos, buscar ajuda em todos os membros da equipe, pois cada profissional possui o seu papel fundamental na assistência prestada aos nossos pacientes. Diante disso, estar na linha de frente mostrou que temos que ser capazes de ajudar a sermos fortes e demonstrar confiança e transparência para os nossos funcionários e outros profissionais.

Está sendo um grande desenvolvimento pessoal e profissional vivenciar a pandemia e estar à frente de equipes tão capacitadas e engajadas. Os desafios são diversos e é possível perceber que a empatia com o outro e as parcerias passaram a ter uma importância muito maior. A COVID-19 transformou também nossa vida pessoal, trouxemos sentimentos como insegurança, angústia, ansiedade e medo de perder e/ou contaminar os amores de nossas vidas: filho, marido, pai, mãe, familiares e amigos. Além disso, existe a incerteza, pois não sabemos quando isso vai terminar.

Elas abriram mão da vida pessoal para salvar vidas. Foto: Christiano Senna

Por outro lado, a pandemia fez com que nossos valores de cooperação, consideração, empatia e cuidado com o outro ganhassem prioridade e está fortalecendo as relações sociais e profissionais, demonstrando o que realmente importa em nossas vidas. Percebemos o quanto precisamos dos outros, de que não podemos e não precisamos dar conta sozinhas, além de ensinar a valorizar ainda mais as pequenas coisas na vida e a nossa liberdade”.

Reportagem: Christiano Senna/Santa Casa BH