A segunda onda de paralisação do esporte no Brasil

O esporte brasileiro voltou a colocar o pé no freio por causa da pandemia de Covid-19. Diante dos quase 300 mil mortos e uma curva de novos casos que aponta para o céu, alguns estados decidiram parar os eventos esportivos como parte das restrições de atividades não essenciais, ações para tentar conter o crescimento da doença. O tema provou debates e com bons argumentos contra a paralisação e outros bons a favor da suspensão das atividades.

O fato é que não fazíamos ideia de que decisões como estas estariam de volta um ano depois da parada total do esporte de alto rendimento que tomou conta do planeta. Apesar do Brasil estar vivendo o pior momento da pandemia, o esporte, assim como outras atividades não essenciais, aprendeu muito com as dificuldades impostas pela necessidade de sermos cada vez mais vigilantes e está aprendendo novamente.

As ações que envolveram o esporte pelo mundo, neste ano que passou, para encarar a pandemia, foram de suspensão completa das atividades, criação de bolhas para equipes e atletas, suspensão de público e até o cancelamento ou adiamento das competições. Agora, no Brasil, diante do caos de saúde pública que vivemos, mais uma vez o esporte precisa reaprender a lidar com a realidade da pandemia.

Pelo menos Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Minas Gerais, suspenderam os eventos esportivos por um período médio de duas semanas. As entidades nacionais que administram os campeonatos pelo país não paralisaram as competições. A CBF, por exemplo, mudou o local de várias partidas da Copa do Brasil para permitir a continuidade da competição em estados que ainda permitem a prática do esporte.

Já a Confederação Brasileira de Vôlei criou a chamada bolha, em Saquarema, no Rio de Janeiro, onde vai realizar as semifinais e finais das superligas feminina e masculina de vôlei, a exemplo do que a NBA fez ano passado, nos Estados Unidos, onde levou todos os times da liga para ficarem hospedados e jogarem as partidas no complexo Disney, em Orlando, Flórida. Nestes ambientes controlados, com testagem quase que diária de todos os envolvidos, é possível um controle rigoroso da propagação da doença.

Na Europa, mesmo os países de adotaram o lockdown para conter o crescimento da pandemia, o futebol, esporte mais popular, não parou as atividades diante da segunda ou terceira ondas de infecções. Alguns países estão até retomando a presença controladíssima de público. Já o Japão, que vai sediar a Olimpíada 2020, que foi adiada ano passado e será disputada entre 23 de julho e 8 de agosto deste ano, proibiu a presença de torcedores estrangeiros. Apenas os residentes no país poderão acompanhar os jogos nos locais das competições, com redução de capacidade e alto controle sanitário. Com isso, 600 mil ingressos vendidos aos estrangeiros serão devolvidos.

O esporte não é uma ilha no mundo e assim como qualquer atividade profissional está sujeito a mudanças por causa da pandemia. A diferença é que em quase todas as modalidades, federações, clubes, atletas, entidades e empresas investiram muito esforço, dinheiro, tecnologia e conhecimento para tornar os ambientes mais seguros para todos. Ainda não temos resposta para o impacto de todas as mudanças, mas estamos desejosos que possam ser uma grande fonte de aprendizado para o fortalecimento do esporte profissional.

Twitter @armandoBH69