A volta do público aos estádios e a responsabilidade de cada um de nós

Minas Gerais prepara para os próximos dias a volta do público aos estádios de futebol depois de mais de 1 ano e 4 meses de arquibancadas fechadas. A liberação para o retorno do torcedor seguirá vários protocolos de segurança para evitar a propagação ainda maior da Covid-19 e gera um debate sobre a real garantia de que não teremos uma nova explosão de casos e sobre a capacidade das instituições de conseguirem agir para cumprir os protocolos. Mas o que mais me chama a atenção é a conduta do indivíduo.

Somos suficientemente empáticos, maduros e respeitosos para cumprirmos as regras de distanciamento, uso de máscara, higiene das mãos e realizar exames que nos garantam o acesso respeitando o estranho que estará ao nosso lado? Por mais que a volta do público ainda seja limitada por regras de distanciamento e ou redução de capacidade dos estádios em alguns casos, o que vemos mundo a fora, em países que já liberaram o retorno do torcedor, é uma alegria irresponsável.

Falo apenas do ambiente do futebol, mas poderia estender o tema para o tênis, fórmula 1 e outros eventos que têm recebido o torcedor de volta. No futebol, talvez o esporte que gere mais emoção em todo o planeta, o torcedor que vimos nos estádios da Eurocopa, recentemente, agiu como se nada houvesse. Como se não estivesse diante de uma pandemia ainda em evolução. Sem máscaras, aglomerando, gritando e festejando, abraçando em clima de celebração. Tudo normal, se não vivêssemos em uma pandemia.

No Brasil, a Copa América, que também recebeu público convidado e restrito na final entre Brasil x Argentina, no Maracanã, foi uma experiência que gerou uma percepção negativa. Aglomeração e confusão na entrada dos torcedores/convidados e casos de torcedores argentinos que falsificaram exames de PCR para ter direito de entrar no estádio. Dentro do Maracanã, o que vimos através da TV foi o uso de máscara como uma ação carnavalesca, um adereço colocado no pescoço, apenas sobre a boca, caído, colorido, como se quem estivesse no estádio precisasse estar obrigatoriamente fantasiado de “cidadão consciente”. A máscara não foi usada como uma barreira à propagação do vírus, foi apenas um item meramente decorativo.

Baseado nesses exemplos, seja na América do Sul ou na Europa, sugiro uma reflexão. Somos mesmos responsáveis e empáticos para cumprir as regras que podem nos proteger e proteger o próximo? Falar do exemplo que vem de cima no Brasil é perda de tempo. Debate inútil. Então, voltemos para a possibilidade que temos de mudar. Falar da nossa individualidade. Temos essa capacidade de cumprir protocolos diante da emoção de voltar ao estádio? Sinceramente não acho que temos essa resposta, mas é inevitável que vivamos o retorno à vida social. Assim como estamos vivendo o convívio nas escolas, nos restaurantes, cinemas, transporte público e tantos outros ambientes.

Algumas situações são quase que obrigatórias para o sustento das famílias. O futebol é parte da indústria do entretenimento que emprega milhares de pessoas no Brasil, gera uma receita importante para a economia do nosso país e é fundamental na saúde mental de todos nós. Para o torcedor também é visto como uma válvula de escape para as tensões do dia a dia, mas não pode ser uma válvula de escape para as nossas responsabilidades. Temos que nos manter alertas e vigilantes. Respeitar o próximo, seja ele um conhecido ou um estranho. A gente tem que estar preparado para a volta do público, cada um de nós. Bom futebol para todos!

Twitter @armandoBH69