Afroestima: morador da Leste se destaca como influenciador digital

Um morador da região Leste é destaque nas redes sociais. Mauro Baracho, de 37 anos, defende, difunde e informa de forma didática questões, como representatividade negra, racismo, autoestima e muito mais. E, caso você ainda não o conheça, o Radar Leste BH tem o maior prazer e apresentá-lo.

Mauro é provocador e instigante. Foto: Divulgação Afroestima2

Mauro nasceu e vive no bairro São Geraldo. É formado em Administração e mestrando em Antropologia. É dele o perfil Afroestima2, com quase 64 mil seguidores no Instagram. Desde 2017 esse tem sido um dos caminhos encontrados pelo influenciador para transformar a angústia das questões cotidianas relacionadas ao racismo em conteúdo informativo. O outro, é a vida acadêmica.

O start para essa caminhada foi dado por volta de 2010, quando Mauro e um grupo de amigos foram a um espetáculo do grupo cultural Tambor Mineiro. Idealizado por Maurício Tizumba, o grupo era totalmente voltado para a cultura afro-brasileira, além de abrigar projetos de artes cênicas, música e festejos de congado. Infelizmente teve as atividades interrompidas em agosto do ano passado, por falta de recursos. “Foi lá que eu vi pessoas assumidamente negras visual e esteticamente. Eu percebi que poderia ser tão bonito quanto eles”, lembra.

As postagens são didáticas. Foto: Divulgação Afroestima2

Mauro assume que já pensava criticamente sobre questões relativas à consciência negra, mas faltava um impulso para levar as idéias adiante. Em 2017 ele criou o perfil Negros Unidos, no Facbook, onde postava textos sobre o orgulho e a aceitação em ser negro. Até que, no ano seguinte, surgiu o Afroestima, no Instagrem e no Face também. “A partir daí surgiram os primeiros vídeos, lives e o número de seguidores foi só aumentando, até chegar a 200 mil. Mas, nem tudo foi tão fácil assim.

Ataque covarde

O perfil foi atacado por um hacker no ano passado. Mauro e a família receberam ofensas racistas e foram ameaçados. O crime virtual foi denunciado à Polícia mas, mesmo assim, ele perdeu a página e teve que começar tudo de novo. “Mas, em menos de uma semana eu já tinha outro perfil, o Afroestima2. Ficou o trauma, ainda tenho medo de uma nova atitude covarde, mas preferi seguir em frente”, relata.

No perfil Afroestima2 é voltado para negros, mas aberto a todos. E você é provocado a refletir, não tem jeito! As postagens te convidam a interagir sobre identidade, conflitos, marginalização, agregam conhecimento e transformam muitas angústias em conteúdo. “É o que eu quero. Ser essa diferença na vida das pessoas. Somos todos seres humanos, mas ainda insistimos e nos tratarmos por raça”, lamenta.