Alerta: risco de obesidade infantil aumenta durante a pandemia

O isolamento social, provocado pela pandemia do novo coronavírus, também trouxe reflexos negativos para as crianças. Elas estão estressadas, mais tempo à frente do computador, perderam o convívio escolar presencial, gastam menos energia com diversão e, muitas delas, nem se alimentam de forma saudável. O resultado? Aumento de peso. A nutricionista da Santa Casa BH, Mayra Cristina Alves, tem orientações preciosas para os pais e responsáveis neste momento tão delicado. Confira!

Mayra Cristina Alves, nutricionista. Foto: SCBH

Radar Leste BH – O que a pandemia e o isolamento social trouxeram de preocupante para a saúde das crianças? Elas também foram afetadas pela quarentena?

Bom antes da pandemia nós tínhamos um cenário em que as crianças estavam mais dentro de casa, ligadas à televisão, internet e menos ao livre, fazendo atividades como brincar, correr, jogar bola… mas, pelo menos elas tinham as escolas, creches, que ofertavam dinâmicas e atividades que permitiam que as crianças estivessem sempre em movimento.

Com a pandemia e o isolamento social, elas ficaram ainda mais restritas, diante da tela seja assistindo televisão, jogando, navegando na internet ou até mesmo tendo aula. Isso afeta muito tanto a condição física da criança, pois elas começaram a se exercitar e se movimentar menos, diminuindo o gasto energético.

Mais computador e pouca brincadeira. Foto: Marc Thele por Pixabay

Radar Leste BH – A obesidade infantil pode também ser decorrente de fatores genéticos e hormonais?

Sim, A genética pode sim estar relacionada com desenvolvimento da obesidade infantil. Existem síndromes genéticas que evoluem com obesidade, distúrbios endócrinos como hipotireoidismo também podem contribuir para o sobrepeso. Porém a alimentação inadequada e o estilo de vida dessas crianças ainda são as principais causas para a obesidade.

Isso começa antes mesmo das crianças nascerem, lá na gestação , quando a mãe apresentou uma alimentação inadequada, rica em açúcares e gorduras e produtos industrializados, podendo contribuir para que o bebê tenha maior risco de obesidade no futuro. Além disso, estudos mostram que as crianças que não vivenciaram o aleitamento materno exclusivo até o sexto mês, também têm risco aumentado para desenvolver obesidade.

Radar Leste BH – O que a família pode fazer pelas crianças com relação a uma alimentação mais saudável e à diminuição do estresse provocado pela alteração da rotina? O primeiro passo é buscar ajuda de um profissional da saúde?

Transformar alimentação em uma brincadeira pode ser uma estratégia legal para envolver a criança. Criar novas receitas, utilizando alimentos saudáveis, pode ser uma estratégia boa para que a criança conheça melhor os alimentos, experimentem e aprendem a comer melhor. Além de ser uma atividade que pode envolver toda a família, ajuda na ansiedade, ajuda a sair um pouco da rotina e ajuda no desenvolvimento da criatividade dessas crianças.

E caso a criança já esteja acima do peso ideal, o recomendável é sempre procurar um profissional de saúde para melhor direcionamento sobre como proceder. É importantíssimo procurar um  pediatra que acompanha  e um nutricionista para orientar os pais sobre a melhor maneira de conduzir e solucionar o desenvolvimento de sobrepeso e obesidade.