Alto Vera Cruz, o bairro das conquistas sociais e da vocação para arte

Antes de se tornar um bairro, o Alto Vera Cruz era tomado por fazendas, nascentes de água e matas. Por volta de 1950 a área recebeu os primeiros moradores. Parte das terras foram vendidas para a Comiteco e a antiga Ferrobel. Posteriormente o povoamento se intensificou com a chegada de trabalhadores da construção civil. Nessa época os moradores tinham que andar vários quilômetros a pé até o Horto e de lá pegar o bonde.

Mas, o Alto Vera Cruz é conhecido pela mobilização e conquistas sociais. O bairro, que tem uma população estimada de 23 mil moradores, tem como traço marcante a solidariedade entre os vizinhos, a luta por melhorias em infraestrutura básica como urbanização, saúde, entre outras aquisições, como a construção de equipamentos públicos.

Ramon não esconde o amor pelo bairro. Foto Ramon

Uma dessas vitórias é a Escola Municipal Israel Pinheiro. Lá são oferecidos aos alunos muito mais que o ensino fundamental, pré-escolar e creche. Segundo o professor Ramon Izidoro, o espaço é uma referência para a educação, de resistência para os movimentos sociais e de integração para a comunidade inteira. “A escola abre aos fins de semana para atividades extracurriculares, para encontros religiosos, eventos e muito mais”.

Horta da escola Israel Pinheiro. Foto Facebook

Ramon tem uma relação contínua de afeto com o Alto Vera Cruz e a Israel Pinheiro. Foi no bairro que ele nasceu, estudou, viveu 30 anos, até se casar e é pra lá que ele sempre retorna. As primeiras experiências profissionais foram na Israel Pinheiro, onde trabalhou como auxiliar de serviços gerais, estagiário da área pedagógica e ainda hoje atua como coordenador do programa Escola Aberta. “E fui conselheiro tutelar na comunidade de 2010 a 2016”, completa.

E o bairro conhecido pelas conquistas sociais, pela escola transformadora de vidas e pela gente lutadora também se revela no âmbito cultural. Destaque para o grupo Meninas de Sinhá, da falecida dona Valdete e as senhoras que cantam e dançam, embaladas por canções da cultura popular. E para o NUC (Negros da Unidade Consciente) de onde saíram talentos como o rapper Flávio Renegado, o percussionista Lipe Cordeiro, Francis Santos, presidente da CUFA Minas (Central Única das Favelas) e muitos outros.