Alzheimer; saiba mais sobre os sintomas e a importância do tratamento

Este mês lembramos o Dia Nacional de Conscientização da Pessoa com Alzheimer. Estima-se que no Brasil existam cerca de 1,2 milhão de pessoas com a doença – a maior parte deles ainda sem diagnóstico. Confira nesta entrevista com a neurologista da Santa Casa BH, Cintia Hatasa, a importância da descoberta precoce para a eficiência do tratamento. A doutora nos conta por que cuidadores únicos de pacientes têm mais chances de desenvolver o Alzheimer. Saiba também sobre os benefícios das medicações disponíveis e como andam as pesquisas em busca da cura.

Dra.Cintia Hatasa, neurologista da Santa Casa BH (Foto SCBH)

Radar Leste BH – Podemos dizer que o Alzheimer é uma doença do cérebro? Por que a doença tem esse nome?

A doença de Alzheimer recebeu esse nome para homenagear o médico Alois Alzheimer que a descreveu pela primeira vez em 1906. Essa é uma doença neurológica que leva a morte dos neurônios devido à produção de proteínas anormais. Devido a essa morte neuronal e a perda de funcional que o paciente apresenta, a doença é considerada degenerativa.

 Radar Leste BH – Quais são os sinais comuns do Alzheimer nos pacientes?

Os principais sintomas incluem a alteração de memória desde o início do quadro, mudanças de humor com depressão e apatia, problemas para planejar e executar funções, alterações de linguagem, como faltar palavras em um diálogo ou trocá-las. O principal é a perda de habilidades que possuía ante, como lidar com finanças, manejar as próprias medicações, cuidar da casa, cozinhar, fazer compras, entre outras que antes eram rotineiras.

 Radar Leste BH – Os pacientes têm consciência que algo está errado?

Por se tratar de uma doença progressiva, é possível que no começo do quadro o paciente tenha consciência das suas dificuldades. Mas, com a piora, há uma perda dessa capacidade também.

A doença é progressiva e incapacitante (foto neurologica.com.br)

A família precisa ser tratada também

Radar Leste BH – Qual é o papel da família no tratamento?

A família deve estar muito bem orientada de que se trata de uma doença progressiva e de que, aos poucos, aquele paciente vai se tornar cada vez mais dependente dos cuidadores, demandando mais atenção e cuidados.

 Radar Leste BH – Os parentes costumam desenvolver doenças também, como depressão? O Alzheimer adoece a família?

Hoje nós já temos estudos científicos mostrando que cuidadores únicos de pacientes demenciados têm maior chance de desenvolver depressão e demência no futuro. Por isso é muito importante formar uma rede de apoio, em que haja revezamento entre os familiares. Em casos em que a família não consegue dar esse suporte, deve-se avaliar a possibilidade de um cuidador profissional ou instituições de longa  permanência.

Radar Leste BH – Há diferença entre demência e Alzheimer? Caso haja, os tratamentos são distintos?

Quando falamos em demência, estamos falando em uma síndrome em que o paciente perde progressivamente a capacidade de realizar atividades que antes eram realizadas com facilidade. Isso nós chamamos  de perda   da   funcionalidade.  A doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência hoje em todo o mundo, porém não é a única e para cada uma dessas doenças há um tratamento específico.

Radar Leste BH – A pessoa morre de Alzheimer?

A doença de Alzheimer evolui progressivamente. Em fases avançadas pode deixar o paciente acamado, incapaz de se alimentar adequadamente e totalmente dependente do cuidador. Nessas fases, infecções como pneumonias e de urina se tornam mais comuns devido à fragilidade do paciente, sendo essa causa mais comum das mortes nesses pacientes.

 Radar Leste BH – Qual é a importância do diagnóstico precoce?

Um diagnóstico precoce leva a um tratamento precoce da doença. Embora ainda não tenhamos a cura para o Alzheimer, temos medicamentos disponíveis no mercado que conseguem prolongar em até 15 anos a vida funcional do paciente, atrasando o início das fases mais avançadas. Além disso, há tratamento para aqueles pacientes que apresentam comportamento difícil, dificultando o cuidado da família. 

Radar Leste BH – Como andam as pesquisas para a cura da doença?

Em todo o mundo ocorrem pesquisas sobre o tratamento do Alzheimer. Hoje já sabemos muito mais sobre a doença do que há 10 anos. Vários medicamentos estão em fase de testes. Provavelmente teremos novidades nos próximos anos.