Arquivo Público de BH faz 30 anos; venha reviver as memórias da capital

A gente ama pegar um avião, um trem, um ônibus, a gente ama viajar. O quem mais me fascina ao descobrir um novo lugar são todas as possibilidades que ele oferece, cultura, arquitetura, história, culinária, conhecer um novo modo de vida.

A viagem que proponho hoje é, de fato, ‘logo ali’. Na rua Itambé, no bairro Floresta, na nossa querida região Leste, está o Arquivo Público de Belo Horizonte. O local abriga um milhão e 200 mil itens. São documentos, plantas, mapas, registros fotográficos e sonoros, que narram a história de todos que viveram e vivem na capital. Passar por aquelas estantes é reviver o passado, mergulhar nas memórias de Belo Horizonte.

Um dos tesouros do arquivo é também um dos documentos mais antigos: a planta topográfica do antigo Curral Del Rey, datada de abril de 1895 e assinada pelo engenheiro chefe da comissão construtora da capital, Aarão Reis. Ela foi a base para o planejamento e construção da “Cidade de Minas”, o primeiro nome da nova capital do Estado. Só depois a alteração para Belo Horizonte foi solicitada, por motivos que basta olhar para o nosso ‘belo horizonte’ para entender.

O acervo da comissão construtora é como uma certidão de nascimento da cidade. E, pelo arquivo, nós encontramos documentos de compra e venda de lotes, atas, protocolos, notas fiscais, e por aí vai. É tão completo que daria pra gente calcular quanto custou a construção da cidade. Tudo isso levou ao reconhecimento mundial em 2015. A documentação ganhou o título de patrimônio cultural da humanidade pela Unesco na categoria arquivística, dentro do programa Memória do Mundo.

E, por falar em Patrimônio da Unesco, destaque para dois documentos referentes a construção do conjunto arquitetônico da Lagoa da Pampulha. Em um, Oscar Niemeyer faz requerimentos para o então prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek, em outro uma ordem de pagamento ao artista plástico e pintor Cândido Portinari pelo trabalho na nossa emblemática igrejinha de São Francisco. Os dois assinados no dia 5 de dezembro, dia do meu aniversário, mas em 1944, quando nem meus pais eram nascidos.

O passeio pelos documentos passa por livros onde foram registrados todos os sepultamentos do cemitério do Bonfim desde 1898 até 1978. O primeiro enterro na cidade que se tem registro foi de uma jovem de 19 anos. E também por todos os projetos arquitetônicos registrados na prefeitura desde o final do século 19, até os anos 90. As plantas ajudam a entender as transformações que a cidade passou ao longo dos anos

Depois de um ano e dois meses fechado por causa da pandemia, o arquivo público vai completar os 30 anos reabrindo as portas ao público. Os atendimentos serão com hora marcada. Para agendar, basta acessar o site da prefeitura: prefeitura.pbh.gov.br

Para marcar a data, também vai ser realizado um seminário online nos dias 26 e 27 de maio às 19 horas. O seminário será virtual, gratuito e transmitido ao vivo no canal da Fundação Municipal de Cultura no YouTube.

Atualmente, o arquivo passa por um processo de digitalização que pretende tornar o acesso às coleções ainda mais democrático. Quem sabe, nos próximos anos vamos poder fazer essa viagem sem sair do lugar?

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