Atendimento à vítima de estupro na delegacia de polícia

O estuprador não tem um perfil definido e muito menos que seja anormal, pelo menos em sua aparência. O autor poderá inclusive estar na casa da vítima, como um parente, onde normalmente ocorre este tipo de crime. A mulher que passa pelo trauma desse tipo de violência física e mental precisa de acolhimento e não, ser questionada quando denuncia o crime. Os questionamentos a serem feitos devem se relacionar à perguntas para se chegar ao autor do crime.

Não se esqueça de que a mulher que procura uma delegacia para denunciar um de abuso já passou e ainda vai passar por muita humilhação, constrangimento e sofrimento até o final do processo. Por isto todo cuidado deve ser dispensado pela unidade policial neste seu primeiro acolhimento.

O estupro é um crime diferente, onde a vítima tem de provar que não é culpada. O atendimento para casos semelhantes deve ser em local separado e fechado, sendo de preferência, feito por policiais preparados nesse tipo de acolhimento e por psicólogos ou assistentes sociais, onde houver.

O policial deve entender que as vítimas têm diferentes reações, motivo pelo qual podem se esquecer de muita coisa que ocorreu, não relatando fielmente, pelo menos naqueles primeiros momentos todos os fatos ocorridos. No caso de autor desconhecido, procurar detalhes do mesmo, como descrição física e qualquer detalhe que ajude na identificação.

Autor conhecido, procurar levantar nome e endereço. A vítima também deverá apresentar a sua documentação pessoal, em caso de menores juntar documento que comprove sua idade.Lembre-se sempre de que o sofrimento da vítima deve ser respeitado por quem a atender.

O que precisamos entender é que para ser policial não existe a necessidade de que sejamos mal-educados com qualquer pessoa, mesmo o marginal mais empedernido. Com este devemos ser o mais duro possível no momento de sua prisão, caso ele assim queira. Nesta situação o infrator é quem dirá como ele quer ser tratado pela polícia, apenas pela ação verbal ou caminhando até chegar à ação letal.

No interior de uma delegacia ou mesmo nos contatos externos com a população, esta mesma solicitude deve sempre ser mantida para que todos percebam que hoje a nossa instituição se trata de uma das maiores defensoras dos Direitos Humanos. E isto tudo passa pela educação com que tratamos os nossos semelhantes. Falta de educação não combina com a Polícia Civil.

Esperamos que os nossos colegas tenham o cuidado de quando atender uma vítima deste crime estúpido que ainda ocorre em nosso País, muitos praticados por pessoas próximas à vítima, possa lhe dar um atendimento digno.

Fonte: COSTA, Elson Matos da. Delegado de Polícia: O que aprender na prática do dia a dia. Belo Horizonte – MG. Publicação Independente / Casa do Escritor, 2020 – Vendido pela Amazon