Atlético ainda luta para sair da fila no Brasileirão

O Atlético ainda tem quatro partidas para fechar o Brasileirão, 12 pontos em jogo, e chances quase remotas de brigar pelo título contra Flamengo e Inter. Muitos torcedores têm usado as redes sociais para defender o famoso slogan “eu acredito” sonhando com o título nacional. Só que a realidade, em campo, jogo a jogo, vem mostrando um esgotamento da fórmula que encantou a todos no início da temporada: domínio de bola, ocupação agressiva dos espaços em campo, pressão sobre os adversários e intensa troca de passes, mas tem faltado uma defesa mais segura eo ataque não tem sido tão eficiente como no início do campeonato.

Não faltaram opções para o técnico Sampaoli que durante a temporada conseguiu convencer a diretoria a gastar milhões para reforçar a equipe. Mas faltou aquele atacante matador. O cara que decide dentro da área, sempre bem posicionado, que acredita em todas as bolas, que arrisca finalizações de primeira e que causa uma baita preocupação na defesa adversária.

Sacha, Vargas, Sávio, Savarino e Marrony  bem que tentaram, mas não são atacantes de área como falei. Tardelli acaba de voltar a jogar depois de longo período de recuperação de contusão, mas também não é este atacante de área. Para a temporada 2021 chegou Hulk que pode cumprir melhor este papel. A pressão e a esperança são grandes em cima do jogador. Hulk é um tanque, tem ótima média de gols com 0,52 gol por partida e tem aquela fórmula de sucesso de atletas que se destacam na Europa, muita dedicação aos treinamentos e têm ótima forma física e força. E como diria o Oscar Schmidt, o maior jogador de basquete brasileiro de todos os tempos e conhecido como ‘mão santa’ por ter uma grande precisão os arremessos: “Esse negócio de mão santa não é verdadeiro, sou mão treinada”, ressalta sempre o craque as quadras.

O atual time do Atlético tem criado muitas chances de gol, mas nem sempre é o mais importante. Melhor ser mais eficiente quando se tem a chance de gol. Foi assim que o Goiás venceu o Atlético quando o time de BH tinha a obrigação de vencer para continuar na briga. Uma chance para o time goiano e um gol. Essa fragilidade no arremate final não falta ao Flamengo e nem ao Inter. Até o São Paulo, que caiu de produção, teve em Luciano a força de área para fazer os gols e decidir os jogos.  Claro que não é só isso que faltou ao Atlético ou que decide um campeonato inteiro. Na minha opinião foi o fator mais marcante neste Brasileirão 2020.

Sampaoli e diretoria elevaram o nível de tolerância do torcedor. Para manter esta boa relação é preciso que o time, em campo, mostre nas quatro partidas que restam no Brasileirão que a confiança pode e deve continuar. Que mesmo que o Atlético fique na fila por mais um ano, o jejum está perto de acabar. Mas dificilmente será no dia 28 de fevereiro, quando terminará a temporada 2020. Quisera eu estar errado e ter que fazer uma coluna para a primeira semana de março falando que o Atlético superou todas as dificuldades e ganhou o título. Só que para isso acontecer é preciso contar com muitos tropeços dos adversários. E quando vemos os jogos de Inter e Flamengo fica difícil acreditar em uma queda de produção tão grande que possa abrir caminho para o Atlético.

Na próxima quarta tem o primeiro dos quatro últimos jogos, diante do Fluminense, no Rio de Janeiro. O Atlético vai entrar em campo com dois objetivos importantes, a vaga na fase de grupo da Libertadores 2021 e manter a matemática de chance de título. O time precisa da vitória para praticamente garantir a vaga na fase de grupos da Libertadores porque a equipe carioca é adversário direto nesta briga. Vencer valerá muito mais que os 3 pontos. Vale a demonstração de força e credibilidade que é preciso continuar sendo alimentada na relação entre o time e torcedor para as próximas temporadas.

Twitter @armandoBH69