Boa Vista; lembranças da linha férrea e dos piqueniques no Cruzeiro

Algumas histórias apontam para a origem do nome do bairro Boa Vista. Uma delas é que antigamente havia uma fazenda com o mesmo nome, no Instituto Agronômico. Outra indica para a aprovação do loteamento da área em 1943, como Vila Boa Vista. O que realmente se sabe é que o terreno pertenceu a Companhia de Fiação e Tecidos Minas Gerais antes de se tornar bairro.

Foto da celebração da primeira missa (acervo Wilson Soares)

O aposentado Wilson Soares se mudou para o Boa Vista por volta de 1973, quando o bairro já tinha cerca de 30 anos. Assim como Wilson, alguns moradores que chegaram antes dele também foram trabalhar na antiga Rede Ferroviária Federal. A área que compreende o bairro ficava entre dois ramais férreos. Um delas margeava o Ribeirão Arrudas e outro seguia para onde hoje se localiza o bairro São Paulo.

Uma das lembranças do aposentado eram os piqueniques que famílias faziam no alto do cruzeiro e da linda vista de Belo Horizonte, especialmente do Estádio Mineirão que ele conseguia enxergar bem longe. “Hoje os prédios tomaram o espaço de quase tudo e não dá mais para admirar a cidade como antes”, lamenta.

O cruzeiro do bairro Boa Vista (acervo Wilson Soares)

O bairro que antigamente tinha um trânsito discreto, com ruas de terra batida, vive uma nova realidade. De acordo com Wilson, a avenida Elísio de Brito concentra grande parte do fluxo por ser o principal ponto de comércio. ”E, nos horários de pico, temos tráfego intenso de motoristas que vêm dos bairros São Geraldo, Nova Vista, Santa Inês, entre outros, com destino a Avenida dos Andradas”.

O Boa Vista fica perto da divisa com o município de Sabará. Ainda conserva o ar interiorano, mesmo estando bem perto da região Central da capital. É um bairro dormitório. Os moradores saem cedo e só retornam no início da noite. As casas ainda são em maior quantidade que os prédios e a vida segue pacata por lá.