Brasileiros na Libertadores: teremos mais uma final verde amarela?

A fase de grupos da Libertadores mostrou a força do futebol brasileiro e a desigualdade técnica da competição que está inchada. Foram 32 equipes em oito grupos de quatro onde os dois primeiros de cada grupo se classificaram. Entre os sete clubes brasileiros na competição, apenas o Santos não conseguiu a vaga nas oitavas-de-final. Em contrapartida, Atlético, Palmeiras, Flamengo, São Paulo, Fluminense e Inter se mostraram candidatos a seguirem em frente na competição.

A próxima fase só será disputada em julho, mas o sorteio para conhecermos os confrontos será na próxima terça-feira, dia 1 de junho. Os times que ficaram em primeiro lugar em seus grupos podem enfrentar qualquer time que tenha ficado em segundo. São dois potes para o sorteio. Atlético, Flamengo, Palmeiras, Inter e Fluminense estão no pote 1, dos primeiros colocados, e entre os brasileiros apenas o São Paulo está no pote dois, ao lado de equipes tradicionais como Olimpia, Boca Juniors, River Plate, Cerro Porteño e Velez Sarsfield. A chance de termos um confronto entre brasileiros na próxima fase é grande.

Os confrontos diretos tendem a equilibrar mais a competição. O sorteio poderá criar clássicos nacionais como Racing x Boca e Palmeiras x São Paulo, e clássicos binacionais como Flamengo x River e Atlético x Olímpia. Mesmo com partidas mais pegadas do que na fase de grupo, acredito que as equipes brasileiras estão com um certo favoritismo para seguirem em frente pelo futebol que vimos nos jogos da fase de grupos.

O Atlético fez a melhor campanha da fase de grupos entre todos os participantes o que dá ao time o direito de decidir em casa todos os confrontos de mata-mata até as semifinais. A final, como será em jogo único no Uruguai, dia 21 de novembro, não dá ao time de melhor campanha qualquer vantagem, ao contrário do título de 2013 quando as finais eram jogadas em duas partidas.

É possível que pelo segundo ano seguido tenhamos uma final brasileira. Estamos diante de uma era de dominância dos clubes brasileiros na competição sul-americana. Nas últimas 10 edições da Libertadores foram seis títulos brasileiros, três argentinos e um colombiano. O que pode dificultar um bom resultado dos brasileiros é o aperto do calendário. Todas essas equipes estão disputando o Brasileirão, que começou neste fim de semana, Copa do Brasil e a Libertadores. E o mata-matacria uma competição diferente. Apesar de não termos as torcidas como fator de desequilíbrio a favor dos times que jogam em casa, as viagens, nem sempre curtas, desgastam as equipes e podem favorecer sempre o time que aguarda o confronto em seu estádio.

A manutenção do calendário da Libertadores depende dos desdobramentos da pandemia em cada um dos países integrantes da competição, Brasil, Chile, Equador e a Argentina, que tem seis clubes classificados. O país do tango passa um dos piores momentos da pandemia e pelo menos nos próximos 15 dias não haverá evento algum no país, nem mesmo a Copa América no Brasil, que começaria no dia 13 de junho e seguiria até 9 de julho. Na Conmebol nada se fala sobre eventuais mudanças na Libertadores, mas temos que viver um dia de cada vez.

Twitter @armandoBH69