Brigas entre torcidas: quando a diversão dá lugar ao ódio e à morte

E a ignorância não deixa de existir, persiste. No mundo, a Rússia invade a Ucrânia por motivos inexplicáveis e causa um terror absoluto em milhões de pessoas inocentes, mães com crianças chorando sem saber o que está acontecendo fogem de seu país apenas com a roupa do corpo para se tornarem refugiados em quem os acolher. Por aqui, a mesma história de sempre. Quando dois times se enfrentam em um clássico, a manchetes das mídias sociais são as mesmas: “Torcedor morre em briga de torcidas organizadas”.

No domingo, 06 de março, o torcedor Rodrigo Marlon Caetano foi baleado antes do jogo Atlético x Cruzeiro quando as torcidas se encontraram no Bairro Boa Vista, Região Leste de BH, vindo a falecer no hospital logo depois. Pelo visto o encontro das torcidas foi combinado pelas redes sociais.

Qual o motivo pelo qual pessoas, a grande maioria do bem, algumas sendo pais de família, trabalhadores, se envolvem em brigas por causa de uma preferência? Os torcedores amam o seu time de forma absoluta, tanto que acaba incomodando outras pessoas que ficam temerosas de ir a um campo de futebol nos dias de hoje, principalmente se tiverem de levar suas famílias. O que pode acontecer antes, durante e depois da partida? O que pode acontecer nestes momentos? Se o meu time ganhar, vou comemorar, se perder e ver alguém alegre partirei para a violência. Como assim? Mas é isto que acontece em um local que deveria ser de pura diversão, nada mais.

Na verdade a violência está no jogo propriamente dito, pois muitos jogadores acabam se machucando por uma entrada desleal de um colega de profissão e isto acaba passando para os torcedores, o qual acaba canalizando para a sua interação social esta mesma forma de agir, querendo agredir quem encontrar pela frente que seja contrário ao que ele idolatra. Quando uma pessoa se encontra no meio de um grupo, ela se torna violenta para ser aceita dentre os demais e assim extravasar todos os problemas de impotência diante da vida difícil que pode estar vivendo, bem como extravasar suas frustrações pessoais. Ela se sente partícipe de um grupo e como tal, mesmo que pratique algum tipo de crime, entende que o grupo é que está realizando, não a pessoa individualmente.

O ser humano é agressivo por natureza e caso tenha passado por uma boa educação na sua formação, com um lar tranquilo é possível que se torne um adulto mais complacente com pessoas que pensam diferentes. Outros reagem de forma completamente diferente e diante de uma frustração precisam extravasar a sua raiva contra o outro já que na vida cotidiana não consegue atingir seus objetivos na busca do prazer.

Um jogo de futebol, principalmente os clássicos atraem uma multidão para o estádio e outros tantos torcendo através das transmissões pela TV ou mídias sociais. O numero de pessoas envolvidas é enorme o que causa um grande problema à Polícia Militar que tem como característica dificultar o encontro destes torcedores contrários ou mesmo a depredação de bens públicos ou particulares, seja onde for, dentro ou fora dos estádios.

A dificuldade é conseguir manter a ordem na cidade pois os encontros ocorrem em qualquer lugar, onde a qualquer momento as torcidas podem disputar entre si e virar uma guerra campal. A legislação poderia ser muito mais dura contra estes baderneiros e no caso do primeiro parágrafo deste texto, alguém se tornou um homicida. As forças de segurança devem fazer uso intensivo das câmeras de segurança dentro e no entorno do locais do evento, policiamento ostensivo preparado para estas situações, como já o é aqui em Belo Horizonte. A Polícia Civil acompanhar com a interceptação telefônica de trocas de informação das torcidas organizadas, antevendo e prevenindo encontros mortais como o que aconteceu no último clássico. Precisamos chegar a paz na Ucrânia e no futebol. Só assim seremos pessoas melhores.

@elsonmatosdacosta
Podcast: PodPolícia

Fontes:
em.com.br
efdeportes.com

Imagem em destaque: Redes Socais.