Campeonato Brasileiro: a imaturidade da regularidade

A coluna desta semana convida cada um de vocês a fazer uma reflexão sobre como vemos o campeonato Brasileiro, o nosso Brasileirão. Acredito que ainda não aprendemos a conviver com uma competição de pontos corridos e por isso vivemos emoções distintas dentro do campeonato. Vocês podem discordar, é claro, mas acredito que isso vale para nós, jornalistas, para os jogadores, para os treinadores e para o mais passional de todos, os torcedores. Todos nós erramos muito ao fazer avaliações e planejamentos de resultados e desempenhos de equipes ao longo de um campeonato como esse. É comum vermos surgir favoritos a cada rodada e na mesma velocidade desaparecem.

É fato que os clubes também não sabem conviver com este sistema. São comuns as atitudes intempestivas, troca de treinadores, afastamento de atletas, contratações salvadoras, apostas desesperadas em jogadores da base e muita troca de farpas internamente. Não podemos chamar isso de maturidade para lidar com uma competição longa em todos os sentidos, tempo e número de jogos, e muito impactada pelas emoções imediatistas do perde e ganha das partidas.

Foi apenas em 2003 que o Brasil adotou o sistema de pontos corridos para conhecer o campeão brasileiro. E o Cruzeiro foi o primeiro time que conquistou esta competição com um time inquestionável, liderado pelo camisa 10, Alex. Quem tem menos de 25 anos não vai entender como era o nosso Brasileirão antes de 2003. Cada ano havia um regulamento e um sistema de disputa, com fases classificatórias, fases de grupo, mata-mata, uma mistura danada para saber quem seria o campeão. Houve até campeonato apenas eliminatório e competição que tinha uma final em um triangular, como em 1971, quando o Atlético foi campeão.  Haja criatividade na cabeça dos dirigentes. Infelizmente, criações nada justas para se conhecer o melhor time do país.

Por isso, há 18 anos, quando começamos a ver o Brasileirão com um sistema de pontos corridos, desfrutamos de um sistema mais justo para eleger o melhor time do país. Para quem gosta do sistema eliminatório, temos a Copa do Brasil e a Libertadores. Ótimas opções em termos de emoção e que valorizam ainda mais o sistema de pontos corridos do Brasileirão.

Passamos a ter um calendário mais parecido com as competições européias. Por lá, os principais campeonatos nacionais utilizam o sistema de pontos corridos há mais de um século e clubes, torcedores e jornalistas já tem mais experiência para planejar, torcer e fazer análises, enxergando uma linha do tempo mais longa mesmo. E eles continuam tendo as Copas com sistema eliminatório e claro, a Liga dos Campões, que mistura fases de grupos e mata-mata, assim como a Libertadores por aqui. Na verdade, a Libertadores foi que mudou a passou a copiar a Liga dos Campeões há alguns anos.

Um campeonato de pontos corridos valoriza a regularidade, torna mais justa a conquista de qualquer equipe. Mas o engraçado é a reação que o nosso futebol tema cada rodada.  É comum a grande exaltação por uma vitória e umabaita condenação por uma derrota. Com isso, criamos deuses e demônios do futebol todas as semanas. Não deveríamos ser tão apressados em criar rótulos e fazer previsões. Desta forma, estamos praticando a profecia, o que não é uma escolha racional para todo o ambiente do futebol, exceto para os torcedores que vibram e sofrem os as profecias das suas equipes. Vamos tentar ser mais serenos e menos ansiosos antes de fazer as nossas escolhas no Brasileirão? Vamos não eleger o favorito da semana para ganhar o campeonato? Bora repensar como enxergamos o Brasileirão?

Twitter: @armandoBH69