Campeonato de regularidade, com emoções: mas, temos que escalar o VAR

A decisão da Série B 2020, disputada na sexta-feira passada, nos proporcionou um dos capítulos mais intensos das competições de pontos corridos no Brasil. Contra os céticos que apontam o sistema como desinteressante, os dois jogos entre América x Avaí e Chapecoense x Confiança, criaram uma oportunidade de se ganhar ou se perder um campeonato nos detalhes. Mesmo depois de 37 rodadas disputadas.

Na semana passada, a coluna tratou do tema “pontos corridos”, um jovem ainda em busca de afirmação dentro da tradição do futebol desorganizado do Brasil. E os fatos vividos na Série B se tornaram extremamente importantes para reafirmarmos a crença nos pontos corridos como uma competição justa e que pode ser muito emocionante.

América e Chapecoense entraram em campo, na rodada final da série B, como os dois candidatos ao título. Estavam empatados em pontos, vitórias, saldo de gols e havia apenas a diferença de gols marcados, onde o América levava a vantagem. Muito se comentava até que o campeonato poderia ser decidido no critério de desempate dos cartões vermelhos. Os jogos começaram simultaneamente, no primeiro e no segundo tempos. Sintonia da arbitragem com a organização do campeonato.

Em campo, em Belo Horizonte e em Chapecó, as duas equipes jogavam como um baita desejo de ficar com a taça, que por sinal, havia duas. Isso, uma taça em cada estádio para que o campeão, qualquer que fosse, pudesse celebrar o título. Tudo, aparentemente, bem organizado. A marcha do placar dos jogos foi parecida e o título acabou sendo decidido nos acréscimos em Chapecó, quando o jogo de BH já havia terminado.

A cena dos jogadores do América ao redor de um pequeno monitor de TV acompanhando a partida em Santa Catarina ficará nas nossas mentes por um bom tempo. Depois de meses de jogos e viagens pelo Brasil, um lance, um pênalti a favor da Chapecoense, criou um drama cinematográfico com um desfecho favorável aos catarinenses. A tristeza dos jogadores do América ficou a 1.471 km de distância da alegria dos atletas da Chape. E foi ainda mais emblemático ver a taça sendo erguida por Alan Ruschel, um dos sobreviventes do acidente aéreo da Chapecoense, em novembro de 2016.

VAR necessário

Só que ainda engatinhamos na nossa gestão do Esporte. A Série B, por questões de custo, alega da CBF, não usa o sistema de árbitro de vídeo, nosso popular VAR. Uma evolução da arbitragem que passou a ser adotada oficialmente a partir da Copa da Rússia, em 2018. Isso é inadmissível. Uma competição que envolve 20 dos 40 maiores clubes do país, milhões de torcedores, que acreditam na regularidade para brigarem por 4 vagas na série A e para que os quatro piores não desçam para a Série C, não pode prescindir de ferramentas que possam reduzir os erros de arbitragem. Um atacante errar um gol ou a falha de um goleiro, são fartos de jogo e interferem no resultado, mas é um problema dos times.

Já um erro de arbitragem tem que ser perseguido constantemente e ser eliminado se possível. Não pode ser decisivo no resultado em campo. Por isso o VAR foi criado. Corrigir os erros e minimizar a interferência da arbitragem nos resultados das partidas, fazendo a revisão de lances chamados de capitais, como pênaltis, impedimentos, se a bola entrou ou não no gol e faltas violentas passíveis de expulsão. E não estou aqui fazendo a defesa do América, que através do seu presidente Marcos Salum, um amigo que admiro muito pela gestão no clube, fez uma reclamação pública dos erros que teriam prejudicado o América ao longo da competição, incluindo o gol do Avaí que estaria em impedimento e mudaria o resultado do campeonato.

Defendo o VAR porque falamos de regularidade, justiça do campeonato, e os erros de arbitragem não podem interferir desta forma nos resultados. Se mesmo com o VAR ainda temos muitos erros. Sem o equipamento tratamos a Série B de maneira injusta, pequena, sem importância. Não pode mais ser mais assim. Tem muita coisa em jogo. Não só um título. Tem premiação, vagas na Série A que podem valer milhões no orçamento dos clubes e o respeito ao torcedor. É urgente que a CBF repense e mude, a qualquer custo, a série B, já a partir deste ano.

Twitter: @armandoBH69