Cuca amadureceu e tem o Galo nas mãos

O atual momento mágico do Atlético, pertinho do título nacional e à espera da decisão da Copa do Brasil, tem um nome mais forte do que o Hulk, Alex Stival, ou simplesmente Cuca. O treinador criou um ambiente vencedor, unido, equilibrado e focado, mesmo recheado de nomes de peso no futebol. O tema é um dos maiores desafios de um treinador de futebol. Mais importante até que a parte técnica e tática de uma equipe.

 Cuca tem 216 partidas no comando do Atlético, somando as duas passagens, de 2011 a 2013 e agora em 2021. São três títulos mineiros, 2012, 2013 e 2021 e campeão da Libertadores 2013. Este anojá são 59 partidas, com impressionantes 40 vitórias, 12 empates e apenas 7 derrotas. E ainda pode terminar a temporada com mais dois títulos. Sem dúvida, Cuca poderá se tornar o maior treinador do Atlético em todos os tempos, deixando para trás um dos episódios mais estranhos na história do clube, o anúncio da saída do time às vésperas fatídico jogo do Mundial do Marrocos, em 2013, com o desconhecido Raja Casablanca, que virou um calo na vida do atleticano.

O Atlético estava se preparando para a partida as semifinais do Mundial e quatro dias antes do jogo contra o Raja Casablanca o treinador, em entrevista coletiva, teve que admitir que estava com proposta irrecusável para ir ao futebol chinês. Na época, o tema vazou depois de uma conversa do repórter do Ge.com, Alexandre Lozetti, com o irmão de Cuca, o auxiliar Cuquinha. O tema foi levado à coletiva do treinador que tentou contemporizar, dizendo que estava muito inclinado a ir para o futebol chinês, que o então presidente Alexandre Kalil sabia, e que só conversariam depois do mundial.

A revelação foi uma grande surpresa para os jogadores. Com a derrota para o Raja e a frustração de não jogar a decisão contra o Bayern, o fato gerou uma grande insatisfação entre os torcedores e entre alguns jogadores. Foi um fim de festa ruim para o técnico que passou uma imagem de que só estava pensando nos dólares da China. Cuca foi embora e muita gente via com desconfiança um possível retorno ao clube.

Este ano, depois de levar o Santos à decisão da Libertadores em 2020, Cuca foi convidado a voltar ao time. Parte da torcida ainda andava magoada, desconfiada. Logo no começo da temporada, houve uma insatisfação do Hulk, Cuca contornou junto com o atacante, e conquistou o título mineiro e fez uma campanha quase impecável na Libertadores.

Para reforçar o elenco o treinador pediu a contratação de Tchê Tchê e foi criticado. Recebeu o reforço de Diego Costa, deixou o atacante no banco, enquanto o jogador recuperava a boa forma. Deixou outros nomes importantes de fora, revezou escalações e montou um time com pelo menos 22 jogadores, que em campo ou no banco, estão entrosados. Afinal, o Atlético vai terminar a temporada com 66 partidas jogadas e ter opções para escalar e poupar é fundamental para chegar a todos os jogos com grande poder de competição.

Na reta final do brasileirão Cuca adota o tom sereno e cauteloso nas declarações. Ao lado do campo, ele não se guarda. Extravasa, festeja, chama a torcida e celebra com cada um dos jogadores os pontos que vão levando o Galo ao bicampeonato brasileiro. Nas coletivas de imprensa não tem euforia. Pensa cada palavra. O treinador paranaense mineirou de vez. Como tem contrato até dezembro de 2022, Cuca terá mais desafios pela frente para manter esse Galo no topo do futebol brasileiro.

Twitter @armandoBH69  

Imagem em destaque: Lance!