Dengue e Coronavírus ameaçam moradores da Região Leste

Como se não bastasse o pesadelo da pandemia de coronavírus, que estacionou no Brasil em março, matou brasileiros aos montes e ameaça várias vidas, outras doenças são motivo de preocupação. As arboviroses, como a dengue, tiram o sossego dos moradores da região Leste de BH e preocupam as autoridades de saúde.

Os dados divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde em 2020, acenderam o sinal de alerta para os moradores da região Leste. Em balanço disponibilizado pela secretaria no último dia 24 de julho, a região ocupou o primeiro lugar em número de casos de dengue. Foram 884 confirmações este ano. A região Nordeste ocupou a segunda colocação, com 745, e o Barreiro em terceiro lugar, com 611 casos. Saiba mais.

Em outra publicação da secretaria, em 3 de junho, mais uma triste notícia. O bairro de Lourdes, na região Centro-Sul, concentrou o número de casos de coronavírus, 44 ao todo. Mas, a Pompéia foi o bairro de BH com mais mortes: foram três ao todo no período.

Em dados mais recentes, do último dia 31 de julho, os números de Covid-19 confirmados na Leste também não foram favoráveis. A região ficou na vice-liderança, com 328 casos, atrás do Barreiro, com 355. A região Oeste foi a terceira colocada, com 326.Com relação às mortes, a Leste ocupou o sétimo lugar.

O avanço da dengue e dos casos de Convid-19 preocupam o líder da Associação Comunitária de Moradores e Amigos da Vila São Rafael, no bairro Pompéia, Orlando Francisco de Menezes, mais conhecido como ‘Cacitete’, que faz questão que o apelido tenha a letra ‘i’. Ele afirma que cerca de 50% dos mais de 700 moradores da vila são crianças. Cacitete acredita que  o remédio mais eficiente para combater essas duas doenças e muitas outras é a conscientização da comunidade. “Adultos conscientes ensinam as crianças a se prevenir e evitar doenças”.

Cacitete conta que a coleta de lixo é feita três vezes por semana pela Superintendência de Limpeza Urbana (SLU), a varreção ocorre todas as terças e quintas-feiras e sempre há mutirão de limpeza nas áreas mais afetadas.  “São aqueles 10% dos moradores que não cooperam com a limpeza e retirada dos focos de dengue”, reclama. O líder comunitário faz o que pode para conscientizar a comunidade sobre a dengue. Prega cartazes nos postes com mensagens educativas para o combate ao mosquito transmissor e tenta convencer quem encontra pela frente a mudar os hábitos de vida.

Os líderes comunitários “Cacitete’ e Márcio Antônio Alves

Aglomeração dentro de casa

Sobre o coronavírus ele tem uma preocupação.  Há muitos casos na vila em que oito moradores dividem um cômodo e as moradias são muito perto uma das outras. “Um risco para a rápida transmissão da doença”. O líder comunitário acredita que uma das saídas para a diminuição dos casos da doença é a melhoria da infraestrutura do local. Ele aguarda a tão esperada construção de 16 torres, aprovadas pelo Orçamento Participativo de 2006.  Cada uma delas pode abrigar 96 famílias. Cacitete teme que, com a pandemia provocada pelo coronavírus, esse sonho tão demorado para os moradores não tenha data para se tornar realidade.

O presidente da AMAP, ( Associação dos Moradores e  Amigos do Bairro Pompéia) João Geraldo de Almeida, o João Petrobrás, faz uma análise desse momento tão preocupante para o bairro. Por ser uma região úmida – uma antiga mina d’água – e sempre sofrer com o acúmulo de água muito frequente no período de chuva a Vila São Rafael torna-se alvo fácil para a proliferação do mosquito da dengue. A falta de conscientização da comunidade, segundo ele, agrava a situação.

João Petrobrás, presidente da Amap. Tirou a máscara só para esta foto

João Petrobrás também é membro do Conselho Local e Distrital de Saúde e está atento a divulgação dos boletins epidemiológicos sobre coronavírus pela Secretaria Municipal de Saúde. De acordo com João, que perdeu um vizinho de Covid-19 recentemente, o Pompéia é um dos três bairros mais antigos da região Leste de BH, junto ao Santa Tereza e Santa Efigênia, e tem uma população idosa muito grande. “Essas pessoas já trazem doenças anteriores e que são agravantes no quadro de coronavírus”.