Designer Social da Leste usa música e grafitti para transformar realidades

Você pode chamá-lo de graffiteiro, músico, educador, mobilizador social… Mas, Frederico Eustáquio Maciel, o Negro F., prefere ser reconhecido como designer social. Morador do Alto Vera Cruz, ele tem uma trajetória rica com o graffiti e o Hip-hop, usados como ferramentas para a transformação social. 

Do Alto Vera Cruz para o mundo. Foto: Facebook Nefro F

Negro F. conta que foi ‘abduzido’ para o mundo do graffiti quando ainda era adolescente, em 1995. E se lembra bem da ocasião. Havia, segundo ele, uma caçamba de lixo abandonada no Alto Vera Cruz e ele foi convidado a pintá-la. “Foi a primeira vez em que peguei no spray para fazer uma intervenção cultural.  Senti um misto de realização e de amor pelos traços que fiz”.

A experiência de escritas urbanas, iniciada no Alto Vera Cruz, rompeu os limites da comunidade. A arte e a experiência de Negro F. ganharam BH, outros estados, como São Paulo, Espírito Santo, Bahia e países, como Cuba e Venezuela. Ele buscou também o aprimoramento profissional. Formou-se em Design Gráfico e se especializou Negócios Sociais. “No curso eu consegui incluir a experiência urbana com a profissionalização”.

Uma das ações do designer social. Foto: Facebook Negro F

Durante a caminhada surgiram outras oportunidades de diálogo com a cultura e uma delas, tão importante quanto a grafitagem, foi a música. Negro F. tem paixão pelo Hip-hop. Ele é presidente da Associação Nacional da Nação Hip-hop e foi um dos articuladores junto à Câmara Municipal de Belo Horizonte para a criação do Dia Municipal do Hip-hop, celebrado em 12 de novembro.

E, assim como o spray, a música é usada como missão para transformar vidas. Negro F. tem projetos ramificados em vários locais. Destaque para as parcerias com grandes instituições, como a Fundação Dom Cabral e a DTG Brasil, com planejamento e projetos de promoção social. E a cada missão assumida, um desafio.

Hoje a luta do designer social é pelo retorno do Projeto Arte Salva, uma parceria entre a Secretaria de Estado da Cultura e a rede nacional de bancos de alimentos, Mesa Brasil. O objetivo é o fornecimento de cestas básicas e complementação alimentar para cerca de 4 mil famílias de áreas como o Alto Vera Cruz, na região Leste, e a Pedreira Prado Lopes, na Noroeste. “Como agente capacitado para transformar vidas eu gostaria de oferecer bolsas de estudo, viagens para treinamentos, mas nosso povo está passando fome. E isso precisa ser resolvido com urgência”, lamenta.

Ops! O Radar Leste BH quase se esqueceu dessa informação! Se tem uma missão que enche de orgulho o Negro F. e da qual ele não abre mão nunca é de ser o pai da Camila e marido da Nádia!

Quer conhecer melhor arte do Negro F? Quer doar alimentos para famílias carentes? Faça contato com ele.

Instagram frednegrof