Devastador: presidente da CDL/BH avalia efeito da pandemia para os lojistas

Queda no faturamento, demissões, lojas fechadas e falta de perspectivas para a retomada das atividades. Grande parte dos comerciantes e prestadores de serviços da capital vivem e revivem essa angústia há um ano, desde o início da pandemia do novo coronavírus. Em entrevista ao Radar Leste BH o presidente da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva, traça um panorama nada positivo do momento e aponta propostas de saídas para a sobrevivência dos estabelecimentos da capital.

Marcelo de Souza e Silva, presidente da CDL/BH. Foto: CDL/BH

Radar Leste BH –  Um ano de pandemia. O senhor pode listar os principais efeitos negativos de todas as restrições impostas ao comércio?

São muitos os efeitos negativos que a pandemia causou no comércio de Belo Horizonte. Dentre os principais podemos citar estagnação da economia, estoques parados, queda no faturamento, demissões e baixa perspectiva de avanços. 

Radar Leste BH – De todos os setores da economia, o comércio ocupa qual colocação no ranking da incidência de efeitos negativos provocados pelas restrições?

No caso de Belo Horizonte, certamente o primeiro lugar.  Somos uma cidade onde as atividades comerciais e a prestação de serviços são responsáveis por 72% do PIB. As restrições atingem diretamente o comércio, principalmente, os que não são considerados essenciais pela administração municipal.

Muitos lojistas da Avenida Silviano Brandão fecharam as portas de vez

Radar Leste BH – Qual é o número atualizado de demissões e de lojas fechadas? Na avenida Silviano Brandão, conhecido corredor de venda de móveis, há lojas tradicionais que não vão reabrir mais. Relatos como esse são cada vez mais comuns para o senhor?

De acordo com dados do Caged, que é o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, em dezembro de 2020, foram demitidas 28.604 pessoas. No acumulado no ano, o número chegou a 359.363 desligamentos. No comércio, foram extintos 69.046 postos de trabalho.

Em relação à extinção de empresas, ao longo de 2020, tivemos o encerramento de 6.022 negócios diretamente ligados ao comércio nos portes micro, pequeno e médio. No valor total, calculando comércio, indústria e serviços, tivemos a extinção de 22.982 empresas.

Infelizmente relatos assim aumentaram nos últimos meses, mas temos a esperança de que haja um reaquecimento da economia, especialmente com a retomada do auxílio emergencial e com a segunda fase do Pronampe, programa de Empréstimos do governo federal aos micro e pequenos empresários.

Radar Leste BH – As vendas on-line ainda são um alento no meio de tanta crise ou representam muito pouco para os lojistas?

As vendas on-line têm sido a principal ferramenta utilizada pelos lojistas diante de tantas restrições impostas em combate ao coronavírus. No segundo semestre de 2020, as vendas virtuais cresceram 47% no país. Em Belo Horizonte, o avanço também foi significativo. Contudo, elas ainda não são suficientes para suprir o faturamento necessário para as empresas. É uma solução paliativa. 

Radar Leste BH – O que a CDL/BH propõe como medida ao poder público para reativar os estabelecimentos fechados com a pandemia?

São muitas as ações a serem realizadas. Recentemente, em parceria com outras entidades do setor econômico da capital, enviamos à Prefeitura de Belo Horizonte um documento com sugestões para a reativação do comércio.

As ações sugeridas foram: ampliação do número de leitos da rede pública de saúde; intensificação da fiscalização para conter a realização de atividades que não respeitem os protocolos de segurança; promoção de campanhas de conscientização reiterando a necessidade e a importância das medidas de proteção contra a disseminação do vírus; aumento da frota em circulação de ônibus do transporte coletivo; conexão com a região metropolitana para liderar uma ação conjunta de combate à Covid-19; diálogo com o governo do Estado; previsibilidade para retorno das atividades comerciais; apoio efetivo às empresas e diálogo com a sociedade civil organizada.