Fábio, o goleiro que marcou para sempre a história do Cruzeiro

Há um personagem icônico nestes 99 anos de vida do Cruzeiro: Fábio Deivson Lopes Maciel, o maior goleiro da história do clube. Colegas jornalistas de todos os veículos vão se debruçar a contar e recontar a vida deste vencedor. Antes mesmo de continuar a escrever sobre este cara, peço desculpas aos fãs e ao amigo Raul Plasmann, outro monstro que defendeu o gol do Cruzeiro. Mas, se tenho que fazer uma escolha, e é da vida do esporte, elegi o Fábio.

Fábio completou 40 anos de vida no dia 30 de setembro. De longe é o jogador que mais vestiu a camisa do clube. São números assustadores até para um atleta de alto nível e que mantém este alto nível há muitos anos.

O momento do clube é um triste contraste com os feitos deste atleta. Fábio ainda é um líder em comando e em inspiração para a reconstrução do Cruzeiro. Foi um dos primeiros atletas com salários milionários que aceitou uma redução salarial e fincou o pé no clube para viver este desafio de levar o Cruzeiro de volta à Série A.

Fábio continua à frente deste time com a mesma dedicação que testemunhamos nas grandes conquistas recentes das quais ele participou, como os dois títulos brasileiros de 2013 e 2014 e os dois títulos das Copa do Brasil, em 2017 e 2018.

E como grande jogador que é não escapou de algumas injustiças do mundo da bola. O não reconhecimento pelos diversos treinadores que passaram pela seleção brasileira e não o convocaram, talvez seja a maior decepção do goleiro. É comum vê-lo falar sobre o tema quando questionado por jornalistas.

Em algumas ocasiões ele foi discreto ao falar sobre a seleção, mas com a maturidade da carreira e com a coleção de conquistas coletivas e desempenhos impecáveis em campo, Fábio já se sente mais liberto para reclamar o esquecimento da seleção. E ele tem razão em reclamar e deve continuar assim. Sincero na decepção.

Nestes muitos anos trabalhando no Esporte estive com Fábio pessoalmente poucas vezes. Em nenhuma delas era uma entrevista e sim um papo. E sempre me despertou uma admiração como ele frequentemente cita a família nos episódios da vida dele. Publicamente, em entrevistas, ele prefere valorizar a fé, a religiosidade. E não cabe qualquer tipo de julgamento. Pelo contrário, respeito!

Breve história

Fábio fez a primeira partida pelo Cruzeiro em março do ano 2000, mas na época não tinha muitas oportunidades no time. Foi para o Vasco onde teve uma passagem vitoriosa entre 2000 e 2004. Pelo Vasco, jogou com o Cruzeiro cinco partidas. Não consegui vencer uma sequer. Foram 4 derrotas e um empate.

Em 2005 voltou para o Cruzeiro para assumir a titularidade no lugar de Gomes, o goleiro da Tríplice Cora, que havia sido negociado com o PSV, da Holanda. De lá para cá, Fábio se tornou o goleiro titular e deve ser o goleiro que estará à frente do Cruzeiro no centenário do clube, dia 2 de janeiro de 2021. Com 900 jogos a caminho, números não faltam para destacar o trabalho do Fábio. Mas escolhi dois emblemáticos.

Em 2014, Fábio foi titular nos 71 jogos do Cruzeiro na temporada. E outro número que mostra a grandiosidade dessa carreira está nas defesas de pênaltis. Foram 21 defesas no tempo normal e mais 9 em disputas de pênalti.  Para Fabio, os números ainda continuarão a contar essa longa história com o Cruzeiro que pode se prorrogar ainda mais através do filho Pablo, de 15 anos, goleiro das categorias de base do clube.  Parabéns Fábio. Vida longa.

Twitter @armandoBH69