Fibromialgia: informe-se e saiba quais são os sintomas da doença

A fibromialgia costuma ser acompanhada por fadiga e alterações do sono, dor muscular generalizada e sensibilidade, entre outros sintomas. Com o doutor Filipe Didier Maciel, reumatologista da Santa Casa BH, você fica sabendo sobre a doença, o tratamento e da prática da atividade esportiva para o controle da síndrome que ainda não tem cura.

Doutor Filipe Didier Maciel, reumatologista. Foto SCBH

Radar Leste BH – A fibromialgia é uma síndrome? Como ela se manifesta no corpo?

A fibromialgia (FM) é uma síndrome dolorosa crônica não inflamatória, cuja principal manifestação são dores musculoesqueléticas de distribuição variável, geralmente difusa por todo o corpo. A FM também pode causar f o chamado sono não reparador, em que o paciente já acorda cansado, mesmo tendo dormido tempo suficiente –, além de outros sintomas menos frequentes.

Radar Leste BH – O que causa a fibromialgia?

A causa da FM ainda é incerta. Os estudos mais recentes mostram que os pacientes com têm níveis anormais de determinados neurotransmissores responsáveis pela condução do sinal através do sistema nervoso, fazendo com que haja uma interpretação amplificada dos estímulos. Isso faz com que um simples toque na pele possa ser entendido pelo cérebro como algo doloroso. Sabe-se que o quadro comumente surge após eventos traumáticos, sejam físicos ou emocionais, além de frequentemente acompanhar outras condições crônicas, como as doenças reumáticas e, principalmente, a depressão.

Radar Leste BH – Há uma idade para o aparecimento da doença?

Há relatos de casos de FM em variadas idades, mas a imensa maioria dos pacientes tem entre 20 e 55 anos.

Radar Leste BH – Por que a incidência de casos é maior entre as mulheres?

Os dados da literatura mostram que a proporção de pacientes com FM pode chegar a 9 mulheres para cada homem, porém a causa dessa diferença ainda é incerta. Acredita-se que seja resultado da interação entre fatores biológicos – como hormônios, por exemplo – psicológicos e socioculturais.

Radar Leste BH – Como é feito o diagnóstico pelo reumatologista? São necessários muitos exames?

O diagnóstico da FM é clínico e não demanda, necessariamente, a realização de exames complementares. Esses, na maior parte dos casos, são solicitados para avaliar outras possibilidades diagnósticas que se apresentam de forma semelhante.

Radar Leste BH – A quais sintomas o paciente deve estar atento?

Existe uma gama de sintomas relatados por portadores de FM, mas os mais prevalentes são: dor difusa, tanto nas articulações quanto nos músculos, fadiga – aquela sensação de estar sempre sem energia – e o tal sono não reparador. Existem outros sintomas, mas esses, por serem os mais frequentes, são os que mais devem receber atenção, principalmente quando persistem por semanas e meses. Os famosos pontos dolorosos da FM – do inglês ‘Tender Points’ – são comumente presentes nos pacientes e auxiliam no diagnóstico.

A síndrome provoca dores pelo corpo. Foto Pixabay

Radar Leste BH – A fibromialgia tem cura?

Em reumatologia, costumamos dizer que há um controle e para que ele seja alcançado é necessária colaboração mútua na relação médico-paciente. O tratamento da FM se baseia nos seguintes pilares: atividade física, medicações, apoio psicológico, de modo que a ausência de um desses três pilares pode dificuldade muito o bom controle da doença.

O exercício físico é, de longe, a principal peça no manejo da FM, como já demonstrado em centenas de trabalhos científicos. Atingir o controle da dor sem uma rotina de atividade física é uma tarefa muito difícil. Como adjuvantes, utilizamos fármacos antidepressivos, mesmo que não haja depressão associada, pois são medicamentos que ajudam no equilíbrio dos neurotransmissores que estão em níveis anormais.

Além disso tudo, o apoio psicológico é fundamental. Essa é uma doença que acaba gerando grande impacto na vida social e profissional. Costumo trabalhar também a higiene do sono com meus pacientes.

Radar Leste BH – Qual é a incidência de casos no Brasil?              

Estima-se que no Brasil cerca de 2,5% da população tenha a FM diagnosticada.