Fila e aglomeração para receber ossos e retalhos de carne na Leste

Uma cena de doer o coração. Quem passa aos domingos cedinho pela avenida Silviano Brandão, no Horto, se depara com uma longa fila, em frente a um tradicional frigorífico.

São homens, mulheres, muitas vezes famílias inteiras à espera da doação de retalhos de carnes e ossos, doados pelo dono do estabelecimento. E a cada semana o número de pedintes aumenta mais. Começou com 10 pessoas e já são mais de 100.

É o que garante o dono do açougue, Valtermir Dorival Bento, o Tutti. Segundo ele, as pessoas vão chegando na madrugada de domingo e logo no início da manhã a aglomeração é imensa. “Muitos estão com fome e a gente serve o café da manhã para eles. São moradores de rua, famílias de baixa renda e gente que foi meu cliente antes da pandemia”, lembra.

As doações de retalhos de carne de boi e porto, miúdos, pé, dorso de galinha e suã dura apenas uma hora e encerra às 6h. Tutti conta que essa ação social já ocorre há mais de 22 anos. Começou com o antigo dono e quando ele assumiu o comércio deu continuidade ao trabalho. Segundo Tutti, o trabalho é feito em parceria com fornecedores, que separam cortes de retalhos que não são comercializados para a doação. “A gente gostaria de atender a todos, mas a demanda aumentou muito e infelizmente tem que fique sem receber a nossa ajuda”.