Frequentadores denunciam que praça do Floresta está suja e insegura

A praça Comendador Negrão de Lima foi tombada no dia 10 de agosto, há 24 anos. Mas, quem frequenta o local tem mais reclamações que motivos para celebrar a data. Sujeira, descuido e risco à segurança estão por todos os lados. Uma moradora deixou de ir ao local e prefere caminhar em outro bairro para não se expor ao risco.

A aposentada Eliana Kondo denuncia a falta de cuidado com a Praça Comendador Negrão de Lima no bairro Floreta, região Leste de BH. Ela não consegue mais fazer caminhadas e encontrar os amigos pela manhã porque o lixo transborda dos coletores, se espalha pela grama, pelo chão e se acumula ao redor dos bancos. “À noite a praça é dos catadores de papel. Eles provocam essa sujeira toda. No dia seguinte fica desse jeito, um verdadeiro desrespeito com o bem público”.

Eliana Kondo diz que se cansou de reclamar da sujeira na praça

Eliana mora no Floresta há mais de 20 anos. Da casa dela até a praça são poucos metros de distância. Só que a aposentada se diz obrigada a ir mais longe, na Avenida dos Andradas, para se exercitar. É que, além da falta de cuidado, a praça virou abrigo para moradores em situação de rua. Ela não se sente segura no local. “São três homens morando aqui”.

Falta colaboração dos frequentadores também. Segundo a aposentada, mesmo com a pandemia a praça é ponto de encontro para jovens que promovem bebedeira, descartam garrafas e resto de comida por todo lado. Até uma festa de aniversário teria acontecido. “A maioria nem mora aqui e não tem respeito por nada. Eu me cansei de enviar mensagem para a SLU (Superintendência de Limpeza Urbana) pedindo a presença dos garis”.

O lixo transborda do coletor e fica espalhado. Há até uma mascara usada entre os resíduos

Nadir Pereira acredita que os usuários também devem cuidar da praça. Ela, que também é aposentada, leva o cachorro para passear e denuncia que viu vários donos de pets não recolherem as fezes dos animais e contribuírem para que a sujeira só aumente no local. Assim como Eliana, Nadir reclama da falta de iluminação. “Os galhos de uma mangueira impedem que um poste ilumine a praça e há uma lâmpada piscando, com defeito também”.

A Praça Comendador Negrão de Lima foi inaugurada em 1937 e tombada em 10 de agosto de 1996, por sua importância paisagística e simbólica. Tem uma área de cerca de 3.100 m² e fazia parte da antiga chácara de propriedade da família do Comendador Negrão de Lima, pai do ex-prefeito de Belo Horizonte Otacílio Negrão de Lima. Na mesma época em que foi inaugurada, foram criadas as ruas Santa Maria, Lídia Couto, Feliciano Henrique, Dona Maria Inês e Leonina Leite, todas nas proximidades.

Parte da praça, tombada em 1996, abriga moradores em situação de rua

Resposta da Prefeitura

 A SLU (Superintendência de Limpeza Urbana) informa que a varrição é feita na praça toda sexta-feira. Já a coleta de resíduos domiciliares é feita as segundas, quartas e sextas-feiras. Sobre a presença de pessoas vivendo nas ruas, os cidadãos podem entrar em contato com a PBH através do sistema sacweb, e indicar o endereço do local onde a pessoa ou grupo se localizam. A subsecretaria de Assistência Social envia a equipe do Serviço Especializado em Abordagem Social e inicia um trabalho com a pessoa ou grupo.

A BHIP, concessionária da iluminação pública, informa que não existe chamado para manutenção do poste citado na reportagem. Mesmo assim uma equipe de supervisão será enviada ao local para avaliar a situação e características de manutenção necessária. Caso seja constatado o problema, a equipe realizará o reparo dos pontos citados.

A Sudecap (Superintendência de Desenvolvimento da Capital) comunica que em fevereiro foi feita poda de iluminação e replantio de grama. Mensalmente, a praça passa por manutenção de capina e despraguejamento das áreas verdes e calçamentos. A última manutenção de 27 a 31 de julho e está programada uma próxima para a semana de 24 a 28 de agosto.