Granja de Freitas, bairro de gente que não foge à luta e sabe o que quer

Tô saindo pra batalha

Pelo pão de cada dia

A fé que trago no peito

É a minha garantia

Deus me livre das maldades

Me guarde onde quer que eu vá

Tô fazendo a minha parte

Um dia eu chego lá…

Bem que o samba ‘Tô Fazendo a Minha Parte’, cantado por Diogo Nogueira, poderia ser a trilha sonora para quem vive no Granja de Freitas. O Radar Leste BH te conta a história do bairro e de um povo não foge à luta, que tem virtude e sabe o que quer!

A região, antigamente dedicada ao plantio de hortaliças, criação de animais, como porcos, cavalos, cabras, da extração do barro para fazer tijolos, telhas e da granja da fazenda da família Freitas deu origem ao Granja de Freitas. O bairro começou a se formar em 1998, com a chegada das primeiras famílias vindas de ocupações de várias regiões da capital.

O músico e líder comunitário Simião Leão veio com o primeiro grupo, da região Norte de BH. No início o número de moradores não passava de 200. Hoje, segundo Simião, são cerca de 10 mil. “De lá pra cá muita coisa mudou, mas ainda há algumas chácaras, habitadas por quem chegou aqui na primeira metade do século passado “, lembra.

Simião, de camisa amarela, luta pelas conquistas do bairro. Foto Simião

O Granja, como o bairro é mais conhecido, é formado basicamente por prédios residenciais, construídos pela  Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte (Urbel) e Simião participou das  primeiras discussões pelas moradias junto à prefeitura. “Nossa comunidade é simples, mas de muito valor. Muitos não têm emprego fixo. Grande parte se ajeita como microempreendedor’.

Uma vontade imensa de vencer

E se falta uma oportunidade para encaixar os moradores no trabalho formal, sobram iniciativas e superação. Através do movimento Viva o Granja (https://www.facebook.com/Movimento-VIVA-O-Granja-1774771699295463/), criado em 2018, a comunidade aliada à lideranças políticas, ao setor privado, a representantes da Saúde, Educação e do Direito começou a dar um novo rumo para o Granja. O caminho? O empreendedorismo! E o pastor Romildo Pereira está à frente desse processo. Além de morar no bairro, Romildo é microempresário e  um dos 38 alunos da 1ª edição da Jornada Empreendedora do Granja.

O curso gratuito e 100% online é fruto da pareceria entre o Sebrae Minas  com a Urbel. As atividades, realizadas duas vezes por semana.  Mesmo com a pandemia são oferecidas aulas sobre empreendedorismo, marketing digital, organização das finanças, entre outros temas. “Nós temos vários talentos aqui, muitos deles desconhecidos e sem alternativas. Mas, nós já estamos mudando este panorama’, conta Romildo.

Romildo, de chapéu, com a turma do Viva o Granja. Foto Romildo

Uma rede de comércio está em franca expansão no bairro. 117 microemprededores, como boleiras, costureiras, serralheiros, marceneiros, entre outros, estão unidos para traçar estratégias de vendas e atrair consumidores da região e de outras comunidades. “Em breve teremos uma feira itinerante. E vamos incluir os bairros integrantes da L4 (Taquaril, Alto Vera Cruz, Jonas Veiga e Granja de Freitas)”, destaca Romildo

Mas, os moradores estão atentos e denunciam a ausência do poder público nas áreas da Saúde, Educação e Esportes! Esta semana vocês vão conferir, em outra reportagem, quais são as principais demandas da comunidade.

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