Inhotim abre dezembro com duas exposições temporárias

A partir de 4 dezembro, dois novos territórios se abrem no Inhotim, com a inauguração de duas exposições temporárias: Abdias Nascimento e o Museu de Arte Negra e Deslocamentos.

Poeta, escritor, dramaturgo, curador, artista plástico, professor universitário, pan-africanista e parlamentar, Abdias Nascimento (1914-2011), indicado oficialmente ao prêmio Nobel da Paz em 2010, teve uma longa trajetória trilhada no ativismo e na luta contra o racismo. Em 2021, ano que marca os dez anos da perda desse intelectual essencial para o pensamento brasileiro, Inhotim e IPEAFRO (Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros), instituição fundada por Abdias e que zela pelo seu legado, o homenageiam com uma ação de longa duração, a ser realizada entre 4 de dezembro de 2021 até dezembro de 2023.

Tunga, um dos artistas mais emblemáticos da coleção do Inhotim, cresceu convivendo com Abdias. Ele era filho de Gerardo Mello Mourão, poeta que, na década de 1930, fez parte da Santa Hermandad Orquídea ao lado de Abdias Nascimento e outros escritores.

A curadoria feita a quatro mãos – Inhotim e IPEAFRO – reuniu para este primeiro ato pinturas, desenhos, fotografias e instalações que evidenciam o diálogo e a conexão artística entre Tunga e Abdias.

A exposição Deslocamentos, na Galeria Fonte, articula trabalhos pensando processos de representação de lugares físicos e imaginados, com questões relativas à ocupação, ao compartilhamento e à migração entre diferentes territórios, e conta com obras de Cerith Wyn Evans, Gordon Matta-Clark, Jorge Macchi, Laura Lima, Matheus Rocha Pitta, On Kawara, Raquel Garbelotti, Rivane Neuenschwander, Rodrigo Matheus, Rubens

A experiência do deslocamento pressupõe a compreensão de que sair de um determinado lugar é um gesto que inaugura um percurso. O desafio de refletir sobre esse percurso remonta aos primeiros viajantes da antiguidade e, por consequência, aos primeiros estrangeiros. Representar o espaço e delimitar fronteiras que separam um território de outro; mapear regularidades, interseções e pontos de contato, mas também tensões e disputas; narrar encontros e trajetos.

Contudo, desde as últimas décadas do século XX, as noções de espaço, território e fronteira, no contexto da globalização, alcançam novas definições e produzem novas materialidades e imaterialidades, mediadas pelo intenso fluxo de mercadorias, capitais e indivíduos. Deslocar-se passa a ter outro sentido, a provocar novas formas de registro.

Fonte: Instituto Inhotim.

Imagem em destaque: Instituto Inhotim.