Ligar a TV para ver o Cruzeiro se tornou uma sessão de tortura para o torcedor

Com apenas duas vitórias em dois jogos pela Série B, 11 pontos em 36 possíveis, o Cruzeiro continua a sina de um clube em decadência. Desde as denúncias de gestão fraudulenta no clube, em maio de 2019, através de uma reportagem no Fantástico, dos jornalistas Gabriela Moreira, Rodrigo Capelo e Gabriel Duarte, a casinha feita de palha veio ao chão. Um leve sopro externo de jornalismo esportivo investigativo derrubou o frágil alicerce de gestões irresponsáveis e com suspeitas de fraudes grotescas. Foi o início do calvário cruzeirense.

De lá pra cá o time comandado por Mano Menezes, que havia conquistado o Campeonato Mineiro de 2019 invicto e tinha feito uma das melhores campanhas na fase de grupo da Libertadores daquele ano, começou uma descida quase kamikaze rumo a um poço profundo de resultados vergonhosos, rebaixamento, cobranças judiciais, punições da FIFA, troca de treinadores, renúncia de presidente, antecipação de eleições, conselho gestor, briga interna profissionais de carreira abandonando o clube, fuga de atletas e um torcedor fiel, descrente do que vê, apaixonado pelo clube e pela história, mas revoltado com o momento vivido.

Para aumentar o drama do clube, estamos no ano de celebração dos 100 anos de vida, que deveria estar recheado de comemorações, mas o que vemos é a pior temporada do time em uma história centenária e vitoriosa. A busca pelos culpados e responsáveis é desejo imediato dos torcedores. O time comandado pelo jovem treinador Mozart Santos parece emocionalmente perdido, algo que víamos nas equipes comandadas por Felipe Conceição, Ney Franco e Enderson Moreira.

E fica evidente que todos os treinadores que passaram pela equipe, desde a saída de Mano Menezes, viveram dramas parecidos no vestiário. A turbulência fora de campo afeta diretamente o clima de treinamento e de jogos. Impossível que a crise financeira, a instabilidade política constante e atrasos de salários não impactarem nos resultados. Os números do time, desde então, são assustadores se comparados à história vitoriosa do tetracampeão Brasileiro, hexacampeão da Copa do Brasil e bicampeão da Libertadores.Mano deixou o Cruzeiro quando o time foi eliminado na semifinal da Copa do Brasil pelo Internacional. Até aquele momento, em agosto de 2019, a crise interna parecia contornável.

Mas não foi assim. Ladeira abaixo, o time já foi comandado por Rogerio Ceni, Abel Braga, Adilson Batista, Enderson Moreira, Ney Franco, Felipão, Felipe Conceição e agora Mozart Santos, o que mostra claramente que o problema nunca esteve no comando técnico do time. Vários nomes, vários estilos, várias experiências, vários comportamentos e o mesmo resultado. Um time exposto, fraco, que não mete medo aos adversários e que virou presa fácil.

A missão de Mozart é difícil, olhando para as partes de baixo ou de cima da tabela. O Cruzeiro ainda tem 26 jogos pela frente para afastar o time da zona de rebaixamento para a série C e tentar se manter vivo na luta para tentar ao acesso para a série A. São 78 pontos em disputa. Se olharmos para a briga contra o rebaixamento o time precisaria de pelo menos mais 12 vitórias, 36 pontos, para se manter na série B. Para tentar uma vaga na Série A de 2022 a missão é muito mais dura.

São pelo menos 50 ou 52 pontos a mais para tentar figurar no G4 da Série B. Ou seja, o time precisaria 17 vitórias em 26 jogos, um aproveitamento de 65%. O próximo jogo já é nesta terça, contra o Remo, em Belém, no Pará. Um dia de cada vez e para o torcedor resta manter a esperança.

@armandoBH69