Lojistas da Silviano Brandão amargam prejuízos com a pandemia

O único open mall de móveis residenciais, infantis, comerciais e de objetos de decoração de BH fica na região Leste. Com o retorno às atividades, depois que quase cinco meses, os comerciantes calculam os prejuízos e demitem funcionários. Alguns fecharam as portas de vez.

Eliana Reis, presidente do Sindicato dos Lojistas da Silviano Brandão

A presidente da Associação dos Lojistas da Avenida Silviano Brandão vê com preocupação a reabertura das lojas, depois de quase cinco meses. Para Eliana Reis, a portaria do Sindilojas (Sindicato de Lojistas de Belo Horizonte) determinando o fechamento do comércio no dia 19 de março foi feita de maneira abrupta e não preparou os comerciantes para todo esse período. ”Antes da pandemia as vendas estavam ruins. Tivemos um mês de janeiro com 30% de queda nas vendas, se comparado ao mesmo período do ano passado. A situação já não estava boa”.

 O retorno às atividades trouxe mais uma aflição. A avenida Silviano Brandão é um corredor atípico. As vendas se concentram mais aos sábados e, pelo decreto publicado pelo prefeito Alexandre Kalil no início do mês, esse segmento não pode abrir no dia mais esperado pelos lojistas. ”Somos 212 empregadores, com 4 mil funcionários. Pagamos aluguel e estamos acumulando despesas e dívidas. Há lojas tradicionais, instaladas há 50 anos na avenida, que não vão mais reabrir as portas. Ninguém agüenta!”.

Anúncios como este começam a aparecer na Silviano Brandão

Sem perspectivas de um bom recomeço

Faltou também, segundo Eliana, solidariedade das entidades ligadas ao setor. Durante os meses de portas fechadas não teria sido oferecido um amparo para incrementar as vendas online, por exemplo. Ela conhece um lojista desestimulado que mudou de ramo. Passou a vender ração para cães. “Nosso futuro é incerto. Ano passado, mesmo com as vendas em baixa, foram arrecadados R$8 milhões em ICMS. Esse ano vai ser difícil chegar a esse valor”.

Givaldo defende a abertura das lojas aos sábados

Givaldo Barros, conhecido como Baiano, tem um topa-tudo há 15 anos na Silviano Brandão. Ele afirma que nunca viveu uma crise como essa. Viu o faturamento cair em 70%, demitiu 7 dos 23 funcionários nos últimos meses e deve mandar outros embora porque não dá conta de arcar com as despesas. “Tentei vender por Whatsapp, mas consegui muito pouco. Para piorar não posso abrir aos sábados. É o dia em que as vendas são melhores”.