Longa espera; moradores pedem o fim de obra de saneamento

Moradores do bairro Paraíso, na região Leste, estão aflitos com a chegada da temporada das chuvas. Eles esperam desde 2009 a conclusão das obras de saneamento do Córrego do Navio. São comuns as inundações, perda de bens materiais e até risco de vida. Tudo poderia ser resolvido se fosse concluída a obra de saneamento prevista no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e no Orçamento Participativo (OP).

É só se aproximar o período chuvoso para começar o sofrimento da aposentada Terezinha Jovita, de 80 anos. Desde que a casa dela foi levada pela inundação do Córrego do Navio em 1982, a vida nunca mais foi a mesma. A aposentada mora na rua Doutor Micaeli, no bairro Paraíso. “O volume de água que desce do córrego chega a 2,5m e leva tudo embora. Eu fico em pânico toda vez que o tempo muda! Não vejo a hora de me tirarem daqui”, desabafa.

Senhor João e dona Jovita na beira do Córrego do Navio

Everaldo de Barros teve que ir com a esposa, morar na casa da sogra, no início deste ano. Eles quase morreram na última temporada de chuva. O casal também vivia na rua Doutor Micaeli. “Perdemos praticamente tudo: cama, roupa, sofá, fogão e, por pouco, a água da chuva não matou a gente”,  lembra a esposa Danielle Aparecida Silva.

Os relatos de dona Terezinha, Everaldo e da Danielle se juntam a outros na caminhada que o Radar Leste BH fez pela rua Doutor Micaeli. Segundo o líder comunitário João Geraldo de Almeida, o João Petrobrás, um levantamento feito pela Urbel (Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte) apontou que, pelo menos 80 famílias, precisam ser retiradas do local para a obra de saneamento do Córrego do Navio, entre os bairros Paraíso e Santa Efigênia. “Só que chega chuva e sai chuva essas pessoas continuam aqui, perdendo o que têm,correm risco de vida e o saneamento não é concluído”, afirma.

Everaldo e Danielle perderam tudo com a chuva

De acordo com o senhor João, o trecho de saneamento da rua Doutor Micaeli é o último para a conclusão da obra. Seriam os 900m finais dos 2300 que já foram saneados a partir da avenida Belém. Ele conta também que a ação, iniciada em 2007 com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Orçamento Participativo (OP) começou no bairro Pompéia e foi interrompida dois anos depois, no bairro Paraíso, bem na altura do Córrego do Navio.

O córrego chega a quase 3m de altura quando chove

O que diz a Prefeitura de Belo Horizonte

 A Prefeitura tem concluído o estudo para o trecho de montante do Córrego do Navio e está licitando os estudos e projetos de saneamento integrado para o afluente denominado Córrego dos Joões. Após a conclusão dos estudos e projetos, a Prefeitura iniciará o processo de captação dos recursos para a execução das obras. Os recursos estimados para a implantação das intervenções, nos córregos do Navio e dos Joões, são da ordem de R$ 70 milhões.

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