Morador da Leste surpreende: transforma obstáculo da vida em vitória!

Uma trajetória marcada pelo inesperado e pela superação. Talvez seja essa a ‘toada da vida’ de um morador da Vila Dias. Daniel Gonçalves de Brito, hoje com 37 anos, é um dos três sobreviventes do atropelamento na rua Cristal, em Santa Tereza. Em 1995 ele, quatro primos e um amigo brincavam na porta de casa quando foram atropelados.

Além das sequelas físicas da tragédia – amputação da perna esquerda, ferimentos por todo o corpo e queimaduras provocadas pelo motor do carro – o menino com seis anos na época, ainda teve que enfrentar os obstáculos emocionais, como a aceitação da deficiência e a ideia constante de tirar a própria vida.

Daniel em frente à AMA. Foto: Arquivo Pessoal

Até que um dia, aos 12 anos, Daniel se viu diante de um dilema. “Eu estava no Centro da capital quando uma criança acompanhada pela mãe chorou ao me vir de muletas e cheio de limitações. Nem havia me recuperado desse momento quando um cadeirante me pediu ajuda e eu, também deficiente, me vi sendo útil para alguém”, lembra.

A ajuda só acabou em frente a Associação Mais Acessível (AMA), na Avenida do Contorno, no bairro Santa Efigênia. Daniel foi convidado a entrar e, de lá pra cá, não saiu mais. Na associação aprendeu o basquete em cadeiras de rodas, disputou todos os campeonatos mineiros da modalidade, ficou entre os cinco melhores do campeonato regional de 2010, foi convocado para a Seleção Brasileira, além de acumular várias medalhas e uma vontade de viver que nunca havia experimentado antes. “A minha felicidade aumentou ainda mais quando meu filho, de apenas cinco anos, disse que queria ser igual a mim”, conta.

As crianças têm orgulho de Daniel. Foto: Arquivo Pessoal

 O começo de um sonho                       

 Para ser atleta como o pai, o pequeno Thales precisava treinar também. E, na mesma entidade que transformou a vida de Daniel, o menino já dá sinais de muito talento. Mas, o pai orgulhoso não se contentou apenas com o desempenho do Thales. Ele começou a levar os amiguinhos do filho para treinar e, há cerca de três anos, pelo menos 30 crianças e adolescentes carentes da Vila Dias aprendem basquete de graça, duas vezes por semana, na AMA. “O sentido que eu passei a dar à minha vida eu vejo que a garotada quer também para a vida deles. Eu sou um ídolo para a garotada”, destaca.

Daniel quer ampliar essa oportunidade para outras crianças da Vila. Ele gostaria que mais alunos frequentassem a AMA e tem o sonho de ver uma quadra de esportes na comunidade. Mas, ainda tem alguns obstáculos no caminho que, claro, serão vencidos também. Um dos que mais preocupam hoje é o desemprego. “Estou sem trabalho desde 2019 e não consegui receber o Auxílio Emergencial este ano. Me viro como posso vendendo bala no sinal, mas não me desanimo”.

Daniel é mesmo surpreendente. Além do esporte, ele acumula outros talentos. É dançarino de Freestyle e se prepara para ser DJ. E o Radar Leste BH deseja que a vida lhe dê muito mais conquistas!