Moradora do Sagrada Família mantém viva a tradicão do benzimento

Espinhela caída, mal olhado, quebranto, cobreiro, vento virado, erisipela…existe uma reza para esses e muitos outros males do corpo e da alma. E uma alternativa de cura pode estar nas mãos e nas orações da uma benzedeira. Cada vez mais difíceis de encontrar, elas resistem! E uma delas, dona Maria Terezinha Matos, de 88 anos, moradora do bairro Sagrada Família.

Dona Terezinha benze há mais de 50 anos. Foto: Denise Souza

Segundo o dicionário, benzer é a contração da palavra ‘bem dizer’, é fazer a cura através da reza. E dona Terezinha, como é conhecida, leva essa missão a sério há mais de meio século, desde que recebeu a missão do tio e padrinho, José das Dores. “E não parei mais! É uma felicidade muito grande poder rezar para as pessoas e tirar o mal que está nelas”, confirma.

A benzedeira com a foto do mentor, José Messias. Foto: Denize Souza

Hoje até a ciência reconhece o benzimento como uma forma de manipular as energias e o nosso campo magnético. Os cientistas mostram que o som, a vibração e a freqüência das palavras, quando emitidos em harmonia, provocam reações benéficas no corpo. E isso dona Terezinha já sabe há muito tempo. “Um senhor que tratava uma erisipela há anos veio a mim por três vezes. Sem interromper o que foi prescrito pelo médico ele foi benzido e curado porque teve fé também”, lembra.

A benzedeira perdeu a conta de quantos benzimentos fez e tem ‘ferramentas’ de trabalho muito eficazes: o terço e varinhas feitas com pequenos galhos de plantas medicinais. Mas, por conta do isolamento social, ela não pode fazer o que mais gosta. “Eu gosto de benzer, sinto muita falta de exercer meu ofício. Mas, enquanto a vida não volta ao normal, eu continuo com minhas orações, novenas a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, pedindo muito pelo fim da pandemia e pela saúde de todos”.