Moradores do Mariano de Abreu lutam por saneamento há mais de 20 anos

É difícil chegar ao século XXI e ter que contar histórias como esta, mas parte dos moradores do bairro Mariano de Abreu, na região Leste, ainda têm que lutar pelo mínimo que se possa oferecer ao ser humano: qualidade de vida. Parece inacreditável, mas eles reivindicam saneamento básico há mais de duas décadas. Confira na reportagem.

40 contra 1. Esse placar é um agravante na vida de famílias do Mariano de Abreu, na região Leste de BH, há mais de 25 anos. Segundo a líder comunitária Marizete Amaral Leão, o impacto desse triste resultado para a comunidade está no fato de o esgoto de mais de 40 moradores da parte alta vazar na casa dos que vivem logo abaixo. E uma pessoa seria o pivô do problema.

De acordo com Marizete, o canos de esgoto são finos, não suportam o volume que desce do alto da pedreira, se rompem com freqüência, a umidade e os dejetos se infiltram na terra e chegam às casas dos moradores da parte baixa. O aposentado Anestino Fernandes é um dos que se sentem mais prejudicados. A quantidade de esgoto que escorreu pelo barranco foi tanta que colocou em risco a vida dele e da família. “Tive que tirar mais de R$1500,00 do bolso para construir essas escoras porque havia risco de desmoronamento. Eu liguei para a Urbel, pedi ajuda, mas não fui atendido”, denuncia.

Ao fundo o barranco molhado de esgoto que ameaça a casa do aposentado Anestino

Além do risco desmoronamento e de doenças, o mau cheiro é outra tribulação na vida das famílias. Piora no verão e é sentido de longe, segundo Marizete. Ela afirma que fala sempre com os responsáveis pela Urbel para denunciar a situação. O entrave, conforme relato da líder comunitária, seria um vizinho da parte baixa que não permite a passagem da nova tubulação de esgoto na área dele.

De acordo com Marizete, o morador denunciado, não permite que a Copasa execute uma das etapas da canalização no terreno dele. Em acordo firmado com a comunidade, a companhia de saneamento já teria disponibilizado o material, como os tubulões, e profissionais para a obra. Estaria tudo parado, à espera de uma decisão da Urbel junto ao vizinho citado como pivô do conflito.

A parte alta, onde moram as 40 famílias, fica em um paredão que está sempre molhado pelo o esgoto escorre. Quem entra na Rua João Batista de Oliveira, a rua do galpão, logo se depara com muralha de pedra toda úmida de fezes, urina e dejetos. Essa via, segundo Marizete, seria o destino final da tão sonhada canalização.“Só que tudo parece cada vez mais longe. São mais de duas décadas que a gente pede e não tem resposta”, lamenta.

Atrás da Marizete e da Gisela está o paredão onde escorre o esgoto

O que diz a Prefeitura de Belo Horizonte

A Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Urbel (Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte), foi acionada sobre o questionamento. Enviou técnicos ao local para avaliar o problema e buscar solução.