Muro na Leste homenageia vítima e alerta para casos de feminicídio

Um muro grafitado chama a atenção de quem passa pela rua Dr. Brochado, n° 800, no Alto Vera Cruz. Nele, uma jovem de tranças longas, sorriso confiante e acolhedor. Ela era Ester e tinha apenas 20 anos quando foi morta pelo ex-namorado, em março do ano passado, bem perto dali.

A dor de Fernanda não diminui. Foto: Arquivo Pessoal

A mãe, Fernanda Fernandes, conta que no dia do crime, Ester e ela saíram cedo de casa para trabalhar quando foram surpreendidas pelo ex namorado da filha. Ester foi atingida por dois tiros. Chegou a ser socorrida, mas morreu no hospital. “Tenho dois meninos. Ela era a minha única filha mulher. A partir desse dia eu não tenho mais vida”, conta Fernanda.

Ester tinha apenas 20 anos. Foto: Arquivo Pessoal

Ester e Talisson Alves Martins da Silva namoraram por 5 anos e ele não concordava com o fim do relacionamento. Talisson foi condenado a mais 26 anos pelo homicídio e por tentar matar Fernanda também. “No dia do julgamento o criminoso ainda me ameaçou”, lembra.

Ester sofria agressões físicas, verbais durante o namoro, mas guardou tudo em silêncio. E foi para que outras mães não vivessem a mesma dor que Fernanda criou o  Justiça por Ester. O movimento de conscientização e auxílio a vítimas de violência ganhou as redes sociais (@justicaporester) e inspirou a criação do mural, que conta também com um poema escrito por uma amiga da filha e serve de alerta para todas as mulheres.

O Justiça por Ester começa a colher frutos. Fernanda tem recebido pedidos de orientação e ajuda de mulheres do País inteiro. “Nós precisamos nos ajudar, nos defender. Esse movimento não é mais pela minha filha Ester. É por todas nós mulheres”.

Imagem em destaque: Arquivo Pessoal.