Não é coisa da sua cabeça: problemas emocionais prejudicam a saúde

As doenças psicossomáticas são desordens emocionais ou psiquiátricas que podem afetar o funcionamento do nosso organismo. Esses desajustes provocam múltiplas queixas físicas, que podem surgir em diferentes partes do corpo. A psicóloga Dáglia de Sena Costa, da Santa Casa BH, nos ensina a compreender esse problema cada vez mais comum na sociedade contemporânea.

Dáglia de Sena Costa, psicóloga. Foto SCBH

Radar Leste BH – Quando vivemos muito tempo em uma situação de grande estresse, frustração, preocupação ou passamos por uma pressão psicológica difícil de suportar podem surgir sinais que atacam o nosso físico?
Sim. Todos passamos por situações de estresse e dificuldades emocionais em algum momento da vida, entretanto, a causa do adoecimento não se encontra na situação estressante em si, mas na duração daquele acontecimento e na intensidade que vivemos aquele sofrimento. Quanto mais a situação durar, maiores são as chances do corpo não aguentar e apresentar sinais de esgotamento físico e doenças.

Radar Leste BH – O que caracteriza um processo de somatização e quando ele ocorre?
A somatização se relaciona com o aparecimento de sintomas físicos causados por situações de desajustes emocionais ou psiquiátricos. A pessoa apresenta muitas queixas físicas persistentes e importantes, que não são explicadas por nenhuma doença ou causa orgânica, apesar de toda investigação médica realizada. As doenças psicossomáticas estão relacionadas à dificuldade de lidar com as emoções e os sentimentos.
O estresse gerado pela vivência e a repetição na memória de experiências ruins fazem com que o organismo esteja sempre em situação de alerta, liberando substâncias para manter o corpo em estado vigilante de modo prolongado. Isso acaba por levá-lo a um estado de grande cansaço, que diminui sua resistência e dá abertura ao aparecimento de dores e de doenças oportunistas.

As queixas de dores são persistentes. Foto Pixabay

Radar Leste BH – Doenças psicossomáticas podem ter sintomas variados, mas há sinais comuns entre elas?
Há estudos que demonstram que a apresentação da doença psicossomática é múltipla e pode variar de pessoa para pessoa. Fala-se de órgão de choque quando o agente do estresse apresenta a preferência de ataque num órgão ou sistema e isso é individual. Por exemplo, na presença de um forte desgaste emocional algumas pessoas apresentam enxaquecas, outras aftas, herpes e algumas manchas roxas no corpo.
De modo geral, podem ser sintomas de doença psicossomática: dor e queimação no estômago; constipação e/ou diarreia; sensação de falta de ar e/ou dor no peito; dores musculares; aumento da pressão arterial; aceleração dos batimentos cardíacos; dores de cabeça; machas rochas na pele, coceira na pele, queda excessiva de cabelo; insônia; mudanças na libido; sensação de bolo parado na garganta, entre outros.

Radar Leste BH – As doenças psicossomáticas podem ser chamadas de doenças mentais?
O termo doença mental tem sido há algum tempo alvo de debate no campo da saúde mental, evita-se usá-lo em função do estigma e discriminação social que provoca no paciente e em sua família. A palavra de escolha tem sido transtorno psiquiátrico ou psíquico. As doenças psicossomáticas são consideradas um tipo de transtorno psíquico já que causam sofrimento e comprometimento importante de ordem psicológica nas pessoas que são diagnosticadas com elas.

Radar Leste BH – Além do psicólogo qual (is) profissional (is) devem avaliar e acompanhar um paciente com uma doença psicossomática.
Uma questão muito importante é que a doença psicossomática não dispensa a consulta ao clínico geral, muitas vezes, elas ocorrem simultaneamente a uma doença física existente cuja sensação de dor e desconforto pode ser potencializada pelo estado emocional.
Mas, de modo geral, psicólogos e psiquiatras são os profissionais indicados para avaliação e acompanhamento de um paciente com doença psicossomática. Em alguns casos, o psiquiatra poderá considerar necessário a administração de medicamentos para o alívio de sintomas.
Além da psicoterapia, o paciente pode também se beneficiar do acompanhamento do fisioterapeuta, nutricionista, educador físico, acupunturista e terapeuta ocupacional.