Nova temporada é combustível para mudanças

O futebol sempre nos dá oportunidade de esperar o melhor do jogo seguinte, mesmo que tenhamos acabado de vencer de maneira incontestável ou se saímos de campo com uma derrota vergonhosa. E o início da temporada também é assim. O time que teve um ano mágico como o Atlético quer repetir a dose e até mesmo superar os feitos de 2021.

O América, que também celebrou um ano de afirmação e conquistas como inédita vaga na Libertadores, quer um 2022 ainda mais grandioso. O Cruzeiro, que se pudesse apagaria da memória o ano do centenário, pelo menos se levarmos em conta os resultados em campo, inicia 2022 com a mais radical das mudanças. Virou SAF – Sociedade Anônima do Futebol, um clube empresa, e agora o futebol tem um dono, Ronaldo Nazário, o ex-ídolo. Para os torcedores todos esses cenários mexem com a paixão e o imaginário. Eles desejam e querem mais, muito mais do que tiveram em 2021. Mas quem realmente pode apresentar algo novo, positivo, em 2022?

O Atlético foi o último dos três grandes da capital a se representar, voltar a treinar. Nesta segunda, dia 17, o time se apresenta para a intensa temporada de 2022, com o novo técnico, o argentina Antonio Mohamed, “El Turco” (como gosta de ser chamado), e com o novo zagueiro Diego Godin, da seleção uruguaia, contratado para o lugar de Junior Alonso, o paraguaio que foi vendido ao futebol russo. Além das duas novidades, o time não terá mais o atacante Diego Costa, que negocia a rescisão de contrato, e emprestou o meia Nathan, para o Fluminense, e o volante Allan Franco para o Chalotte FC, dos Estados Unidos. Dois novos atacantes reforçam o time, Ademir, ex-América, e Fábio Gomes, que estava no New York Rede Bulls, dos Estados Unidos.

O Galo defende o título Mineiro, Brasileirão, Copa do Brasil, e vai em busca de outras duas conquistas, a Supercopa do Brasil, contra o Flamengo, em jogo único no dia 20 de fevereiro, e Libertadores. Antes da bola rolar, é claro que com o elenco que tem e os investimentos que não param, o clube, assim como Flamengo e Palmeiras são de novo os três grandes times do país. Podemos esperar algumas novidades como o Corinthians, São Paulo, Fluminense e Internacional.

Para o América, 2022 pode se tornar o ano mais especial da história do clube, superando sim o ano de 2021. A participação na Libertadores é o principal desafio do ano. O time enfrenta o Guarani do Paraguai na fase pré-classificatória. O primeiro jogo será dia 23 e fevereiro, no Independência, e a volta dia 2 de março, em Assunção.  Se passar ainda terá mais um mata-mata antes da eventual fase de grupos. Mas ainda sem entrar em campo o time está mobilizado para apoiar o goleiro Matheus Cavichiolli, de 35 anos, que passará por uma cirurgia cardíaca depois de descobrir uma obstrução em uma artéria. Todos focados neste momento delicado.

A parte defensiva está bem reforça com a chegada dos zagueiros Iago Maidana, Eder e o argentino German Conti. No atacante o reforço é Everaldo, que estava no Corinthians. O outro argentino, Mauro Zárate ainda pode renovar com o clube. Com o desfalque de Cavichiolli, o time busca um goleiro substituto, pela menos para este início de temporada.

Para a Sociedade Anônima Cruzeiro, como o time agora é registrado com um novo CNPJ, futebol em campo e as ações nos bastidores vão gerar expectativas semelhantes para o torcedor em 2022. Como o novo dono do time, Ronaldo “Fenômeno” vai se sair à frente de dívidas milionárias, orçamento enxuto e a obrigação de levar o time de volta à Série A do Brasileirão? Sem o goleiro Fábio, ídolo que não teve seu contrato renovado e não poderá chegar aos 1000 jogos pelo time, o Cruzeiro realmente parece começar o ano deixando de lado, pelo menos temporariamente, a história.

O pragmatismo administrativo, que também guia as ações em campo, dará certo? Não havia outro caminho para o futebol do clube, mas há uma variável crítica: a paciência do torcedor. De cara o time enfrenta o campeonato Mineiro, desafiando Atlético e América que tem times mais equilibrados e arranjados. Depois, seguir a temporada encarando o mata-mata da Copa do Brasil, apostando do peso da camisa do maior vencedor da competição, e a Série B, pela terceira vez consecutiva e sem a chance de ficar de fora do G4.

Será uma temporada intensa para os mineiros. Com metas visivelmente diferentes, a grande semelhança fica por conta da paixão do torcedor dos três times que começam o ano em busca de resultados sempre melhores do que do ano passado. Que possamos ver em campo bons jogos refletindo estes desafios.

Twitter @armandoBH69

Imagem em destaque: Divulgação Monterrey / Joaquín Jiménez