Novas angústias das velhas ondas da Covid 19

Há quatro meses o futebol retornou às competições no Brasil e no mundo.  Testemunhamos títulos estaduais e a retomada de competições nacionais, sem público nos estádios. Houve um sentimento ambíguo de alívio e incertezas e vivenciamos um certo de grau de responsabilidade na retomada dos eventos. Parecia que estávamos caminhando bem, dentro de um certo controle. Havia um sentimento de que as diversas ações de prevenção à pandemia eram suficientes para que a vida no esporte retomasse uma certa normalidade, respeitando atletas de público.

Infelizmente estávamos enganados. Por que erramos tanto? Achávamos que os protocolos escolhidos eram suficientes para conter a proliferação da Covid 19,  mas não foram. Chegamos a uma situação de altíssimo risco com infecção de dezenas de jogadores e membros de comissões técnicas no Brasil. Onde erramos?

Erramos no dia a dia. Nas rotinas. Não sou médico ou profissional de saúde, mas é fácil perceber que as rotinas mais relaxadas de todas as áreas de relacionamento também atingiriam o futebol. Reflitam comigo. Os protocolos que permitiam o retorno aos jogos pregavam o distanciamento físico de uma forma que nunca foi aplicada. Era preciso manter o distanciamento social.

Mas os abraços, toques, dispensa de máscaras em ambientes coletivos como vestiários, ônibus ou até mesmo aviões se tornaram rotina. Não foram evitados. Abraços, celebrações de gols e outras ações de confraternização estão no dia a dia de atletas e  de comissões técnicas Perigosas rotinas, encobertadas pela falsa percepção de segurança.

Estamos, agora, assustados com dezenas de pessoas infectadas entre atletas, comissões técnicas e outros profissionais. Mas o resultado era previsível. Exames não impedem o avanço do vírus. Apenas nos mostram onde já erramos. É necessária uma ação imediata de recuo. Voltar alguns passos atrás para que possamos respeitar os riscos da contaminação. Isso vai além do esporte. É preciso reconhecer os nossos excessos e regredir no relaxamento. Isso não é necessariamente um retrocesso. É uma necessidade. O futebol pode continuar, mas é preciso respeitar os riscos do vírus. Sempre!

Twitter @armandoBH69