Novo cangaço: modalidade de crime que apavora o País

Aqui no Brasil, se tornou algo quase que corriqueiro a notícia do ataque do chamado Novo Cangaço. O mais recente, na madrugada de 30/08/21, aconteceu em Araçatuba/SP. A população acordou sobressaltada com o barulho das explosões em bancos atacados pelos marginais e o disparo de tiros de alto calibre para todo o lado.

O termo “Novo Cangaço” surgiu tendo em vista a forma como os cangaceiros do norte do nosso pais atuavam, Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Ceará, tendo a frente o mais temido de todos, Lampião e sua companheira Maria Bonita, e o seu apogeu aconteceu entre 1920 e 1930. Um bando invadia a cidade, roubava tudo que fosse de valor infundindo terror a pequenas localidades que nada podiam fazer contra este tipo de criminosos.

São três aspectos fundamentais pelos quais as quadrilhas passam a observar: quantia em dinheiro suficiente para distribuir entre os criminosos, trajeto anteriormente escolhido quando empreenderem a fuga e quantidade de policiais a serem enfrentados. Quando a quadrilha depara com um obstáculo em qualquer um destes três aspectos, eles procuram se preparar, estudar, treinar, portanto, conseguem resolver abrindo caminho “a bala”.

Em cidades maiores, como Araçatuba/SP, 200 mil habitantes, existe a possibilidade de uma maior quantia de dinheiro no cofre do banco no dia escolhido, mas existe a dificuldade de fuga e contar com muitos policiais para atender a emergência. Portanto devem ter um contingente de criminosos bem maior e armas/explosivos em quantidade suficiente para o enfrentamento se houver. E saber por onde irão fugir.

É possível que a polícia faça o enfrentamento destas quadrilhas de muitos criminosos e bem armadas? O que vimos em Araçatuba/SP dá para notar a impossibilidade de acontecer um confronto armado entre polícia e marginais. Muitos moradores foram feitos reféns e colocados em cima dos capôs e tetos dos veículos impossibilitando qualquer tipo de reação armada por parte das forças de segurança.

Como estes crimes ocorrem durante a madrugada, pegando desprevenido a todos, dificilmente será possível reunir dentro de uma hora a quantidade suficiente de policiais para combater este crime, além da dificuldade da presença dos reféns que podem vir a morrer em caso de confronto. Estes são levados e libertados logo mais a frente quando os marginais entendem estarem a salvo de qualquer tipo de perseguição.

No caso de Araçatuba/SP, alguns criminosos já foram identificados e presos e possivelmente muitos outros que participaram deste crime, sendo certo que suas prisões venham a acontecer com o passar do tempo. Esta falta de integração de investigações entre os estados é que permite que criminosos passeiem pelo nosso país cometendo crimes e ficando impunes depois de aterrorizarem toda a população ordeira de uma cidade.

À medida que este entendimento de compartilhamentos de informações crescer, com certeza este tipo de crime acabará sendo desestimulado e se tornando inviável a sua prática. Sem investigação nunca será possível o combate a este tipo de delito.

@elsonmatosdacosta          

Fontes:

www.terra.com.br – 03/12/2021

g1.globo.com – 30/08/2021

Imagem em destaque: Redes Sociais.