O Atlético de 2020 difere de todos os times e de si mesmo

Há 25 anos a FIFA passou a adotar os três pontos pela vitória no futebol, uma mudança que visava tornar o esporte ainda mais ofensivo.  Até 1995,uma vitória valia 2 pontos, o empate 1 pontos e a derrota nenhum.  Tudo o que se falava e se pensava na época da mudança era criar uma condição esportiva para que os times buscassem mais gols, um jogo mais ofensivo, o que proporcionaria mais emoção, mais competitividade.

De lá pra cá, muitos treinadores encontraram nesta diferença de pontos entre o empate e a vitória uma estratégia. Afinal, um empate vale apenas um ponto acima da derrota, que não vale ponto algum. Já uma vitória vale 3 pontos, dois a mais do que o empate que só vale 1. Parece tudo muito óbvio matematicamente falando. Mas quando vemos um time como o Atlético, comandado pelo técnico Jorge Sampaolli, que no Brasileirão de 2020 tem 10 vitórias e 4 derrotas e nenhum empate, e lidera a competição com autoridade, temos um exemplo claro que o futebol ofensivo compensa. O Atlético é o único time entre as 60 equipes das séries A, B e C que não sabe o que é um empate no Brasileirão de 2020.

Desde 2006, ano que o sistema de pontos corridos passou a ter 20 times na série A, nunca tínhamos visto um time que arriscasse tanto a vitória como o Atlético. Em 14 jogos, nenhum empate, enquanto a média de empates dos times campeões, entre 2006 e 2019, era de 1 empate a cada cinco jogos, exceto o Flamengo do ano passado, comandado por Jorge Jesus, que era mais ousado e empatou apenas 6 partidas dos 38 jogos, com média de um empate a cada 6,3 jogos.

No mais, os campeões anteriores sempre tiveram uma média de empate entre 7 e 11 jogos, nas 38 rodadas. O Atlético de 2020 difere de todos e de si mesmo. Nas demais edições do campeonato por pontos corridos, o time tinha uma média de 1 empate a cada 4 jogos. Tudo parece um balaio de números. São números que explicam a posição do time na tabela, levando em consideração os jogos até o domingo, dia 11 de outubro.

Sempre valorizamos muito a tal invencibilidade, ou seja, um time que não perde. Mas estávamos certos? Em parte, não perder é importante, traz uma autoestima que pode ser determinante na busca pelos resultados. No Atlético atual, o que vemos é uma autoestima alimentada pela ofensividade. Atacar, mesmo que o time sofra gols e possa até mesmo perder jogos. Ver um treinador inconformado com um ataque perdido, mesmo quando o time está vencendo o jogo por 3 ou 4 gols de diferença, é um argumento convincente de que o maior respeito ao adversário, como diria o treinador Vanderlei Luxemburgo, é fazer mais e mais gols, não importando se o time já estiver goleando. O torcedor agradece. O futebol agradece.

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