O brilho do Brasil nas Paralimpíadas de Tóquio 2020 tem que continuar

Ao conquistar 72 medalhas, sendo 22 de ouro, e ficar em sétimo lugar no quadro geral dos jogos Paralímpicos Tóquio 2020o Time Brasil mostra ao Brasil que grandes resultados não acontecem por acaso. Assim como os jogos Olímpicos, os jogos Paralímpicos foram disputados em 2021 por causa da pandemia, sem público nos estádios e arenas de Tóquio. Mas nem por isso deixamos de ver cenas espetaculares do esporte.

Quem acompanhou as competições viu o quanto os atletas paralímpicos brasileiros de alto rendimento não precisam de solidariedade para superar as dificuldades de uma deficiência. Eles não se apoiam nesta ideia ultrapassada de que o esporte paralímpico é só superação.Eles pedem passagem como atletas que treinam muito, se dedicam, colhem resultados importantes, nem sempre vencem, mas são profissionais do esporte. Precisam de investimento como os atletas olímpicos também precisam.

Parafraseando a atleta paralímpica, Verônica Hipólito, que não pode estar presente em Tóquio e se tornou comentarista dos jogos nas transmissões do Sportv, o atleta paralímpico não é especial. Ele é profissional. Segundo ela, “especial é quem paga um açaí para você sem pedir nada em troca”. O atleta paralímpico é apenas uma pessoa com uma característica diferente dos demais, mas se tornou atleta de alto rendimento com dedicação e muito treino, muito suor.

Verônica foi um capítulo de ouro na cobertura jornalística dos jogos. Quem teve oportunidade de acompanhar as transmissões do Sportv ao lado dela, aprendeu de uma forma didática as diferenças entre as categorias, as regras de cada modalidade e a histórias de muitos atletas que defendiam o Brasil e das grandes estrelas do esporte paralímpico mundial.

É preciso avançarmos mais na busca pelo reconhecimento destes atletas assim como o futebol feminino busca a mesma valorização financeira que o futebol masculino. Os atletas olímpicos brasileiros receberam premiações em dinheiro do Comitê Olímpico Brasileiro importantes para a profissionalização do esporte. Cada medalha de ouro valeu R$ 250 mil, prata valeu R$ 150 mil e bronze R$ 100 mil. Um bom prêmio. Já os atletas paralímpicos vão receber menos do Comitê Paralímpico Brasileiro, R$ 160 mil pelo ouro, R$ 64 mil pela prata e R$ 32 mil pelo bronze. Guias e auxiliares em algumas competições também recebem premiações. Nos Estados Unidos a igualdade chegou nesta temporada. Pela primeira vez os atletas olímpicos e paralímpicos receberam o mesmo valor pelas medalhas que conquistaram. Já o Reino Unido não paga premiações nem para atletas olímpicos e nem para atletas paralímpicos, mas paga bolsas anuais para ambos os comitês que permite o financiamento dos atletas.

O mundo está em movimento e precisamos aprender que o respeito vem das mudanças de atitudes e do tratamento que damos uns aos outros, não importando se temos alguma característica diferente, como bem frisou Verônica Hipólito, atleta paralímpica de 25 anos que já superou a retirada de mais de 200 tumores. Ela não pode ir a Tóquio, mas mira Paris 2024 como meta para voltar a brilhar nas pistas como velocista paralímpica. Enquanto isso, dividiu com todos nós uma pouco mais da sabedoria de um paratleta de alto rendimento. Obrigado Verônica!

Twitter @armandoBH69

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