O Ministério da Saúde adverte: o Instituto Hahaha provoca overdose de amor

O sorriso é uma das expressões mais verdadeiras de alegria, de êxtase da alma e uma forma de nos abraçarmos com os lábios. É uma reação pura, quando sai espontaneamente de um rosto vulnerável ou de um corpo que carrega a dor. É manifestação de amor, na essência, quando é provocado.

É a missão dos palhaços do Instituto Hahaha, uma instituição sociocultural da sociedade civil que leva uma overdose de tudo de bom a hospitais, instituições de longa permanência para idosos de BH e do interior do Estado. Localizada no bairro Santa Tereza, a organização foi criada em 2012 e tem como um dos fundadoras a Gyuliana Duarte. E é ela que nos conta essa história linda.

Gyuliana ou palhaça Xuleta? Divulgação: Insitituto Hahaha

Formada em Artes Cênicas e ex-integrante do grupo Doutores da Alegria, a palhaça ‘Xuleta’, como Gyuliana também é conhecida, reforça a imagem do palhaço como figura de autoridade doce, lúdica, capaz de transformar um hospital em um espaço para a arte e alívio do sofrimento. “Hoje temos vínculo com sete hospitais da capital – grande parte deles com atendimento pelo SUS (Serviço Único de Saúde) – e um em Ipatinga”, conta.

As ações do Hahaha são gratuitas e apresentadas por oito aristas especializados em palhaçaria. Para integrar o grupo os profissionais passam por um rigoroso processo de seleção e todos são remunerados. “Antes da pandemia eles seguiam em dupla ou trio e visitavam a mesma instituição pelo menos duas vezes por semana, durante um ano. E não se trata apenas de um espetáculo, com roteiro definido. Implica em agir conforme a percepção e permissão do paciente, seja ele uma criança, adulto ou idoso. E cada palhaço tem sua ‘besterologia’, conforme a sua especialidade”, destaca Gyuliana.

O que fazer na pandemia?

Com a pandemia da Covid-19 tudo mudou. Toda a equipe teve que se adaptar ao mundo digital e saber atuar em três frentes de ação: a primeira, aprender a usar os recursos audiovisuais. Desde então, são postadas visitas online duas vezes por semana no canal do Youtube. Hoje são mais de 100 vídeos! A segunda é a promoção da interatividade por meio do tablet. Os profissionais da saúde levam o aparelho até o leito para que os palhaços e o paciente possam se comunicar. Há também os plantões Hahaha, onde as instituições cadastradas fazem contato pelo whastapp do instituto e o público recebe mensagens pelo aplicativo de celular.

O acordeom do João Pedro. Divulgação: Iinstituto Hahaha

A atriz que despertou para o teatro no Vale do Aço, estudou Artes Cênicas no Rio de Janeiro e especializou-se na palhaçaria vê na profissão uma oportunidade de entrega, doação e retorno incalculáveis. “Tínhamos um paciente no Hospital das Clínicas, um menino chamado João Pedro. Amoroso, alegre e comunicativo, ele vinha com freqüência do interior do Estado para se tratar no HC. Perdemos o contato até que um dia recebemos um recado da mãe. João Pedro havia partido, mas deixou como último pedido, que chegasse até o nosso grupo o acordeom que ele mais amava. Desde 2013 o instrumento simboliza João Pedro vivo entre nós e a certeza que a nossa missão é grande demais”, destaca Gyuliana.

O Instituto Hahaha é muito mais do que você acabou de ler. Ficou curioso, quer saber mais? Clique aqui , acesse o site e compartilhe esta alegria.