O novo bicampeão da Copa do Brasil fechará temporada 2021

O Galo está pertinho da tríplice coroa de 2021, mas o xará paranaense ainda tem pela frente o enorme desafio de reverter um resultado de 4 x 0, feito jamais visto em 32 anos de Copa do Brasil. Neste cenário no dia 15 de dezembro, quarta-feira, dia que marcará o fim da temporada do futebol brasileiro, teremos a coroação de um time mágico, o Atlético Mineiro, ou a sublimação do Athletico Paranaense, atual bicampeão da Copa Sul-americana, equipes que ajudam a cada dia a mudar a percepção do chamado futebol do eixo Rio-São Paulo.

Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Pernambuco fizeram da Copa do Brasil a competição nacional fora do eixo onde os grandes times do Rio de Janeiro e São Paulo têm que assistir a força das equipes como Cruzeiro, Atlético, Grêmio, Internacional, Athletico Paranaense, Sport, Criciúma e Juventude que juntos têm a supremacia da competição mais democrática da América do Sul. Nenhum outro torneio envolve tantos times, 92 só este ano, das mais diferentes divisões, alguns amadores e gigantes do continente, que disputam cada jogo como se fosse uma decisão. Em 32 anos de Copa do Brasil já vimos zebras enormes, viradas improváveis, o surgimento de craques e o silêncio de enormes torcidas.

Se na galeria dos campeões brasileiros os grandes times do Rio e São Paulo dominam os números de conquistas – são 48 títulos dos grandes de Rio e SP, incluindo o Santos, e apenas 16 dos demais estados, fora um título do interior de São Paulo com o Guarani de Campinas, em 1978 – na Copa do Brasil os times fora do eixo comandam as conquistas. Vale explicar sempre que o Santos é tratado como time do eixo, mesmo sendo um clube de outra cidade e não da capital paulista. Se considerarmos essa 32ª edição já podemos contabilizar o 18º título longe dos grandes clubes do Rio e SP, contra 13 títulos do eixo e dois do interior do estado de São Paulo, Santo André e Paulista de Jundiaí.

Neste cenário, a Copa do Brasil, criada em 1989, se tornou uma competição imprevisível e alguns casos a afirmação da força de uma temporada. Foi assim com o Cruzeiro de 2003, campeão estadual, brasileiro e da Copa do Brasil. Foi assim com Palmeiras ano passado quando ganhou o estadual, Libertadores e Copa do Brasil e agora está bem perto de marcar a temporada para um dos Atléticos, com uma vantagem enorme para o time mineiro.

Copa não é campeonato de pontos corridos. É uma competição eliminatória, cria uma condição única para equipes que jamais se enfrentariam em um campeonato Brasileiro. Mas nos últimos anos, as zebras desapareceram e força dos clubes que dominam a série A do Brasileirão tem confirmado os campeões. A última grande zebra foi Paulista de Jundiaí, em 2005, que revelou o técnico Vagner Mancini e dois ídolos do Galo, Réver e o goleiro Victor.

O maior campeão da Copa do Brasil ainda é o Cruzeiro, com seis títulos. O Grêmio tem 5, Palmeiras 4, Flamengo e Corinthians três, e agora um dos Atléticos terá dois troféus. E a edição de 2021 ainda entrará para a história como a final que gerou a grande expectativa sobre a confirmação do ano do Galo ou a maior virada da história que pode ser alcançada pelo Athletico Paraense. Com esse enredo já escrito e dois finais possíveis para lá de emocionantes, podemos nos despedir desta temporada memorável do futebol brasileiro com a volta dos torcedores aos estádios e com a certeza de que o ano de 2022 será ainda mais empolgante e com a novidade de fecharmos o ano com a Copa do Mundo do Catar. Respirem, agradeçam e celebrem com suas famílias a vida e a saúde. Muita luz para todos, sabedoria e serenidade.

Twitter @armandoBH69

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