O VAR nosso de cada dia … haja polêmica!

A regra não é clara e por isso há alguns anos convocamos do VAR. Desde a Copa de 2018, na Rússia, o evento que popularizou o uso do VAR – Video Assistant Referee – o árbitro de vídeo se tornou parte das nossas discussões e debates sobre o futebol. Quando surgiu como ferramenta de auxílio à arbitragem, o VAR era visto com a possibilidade de minimizar os eventuais erros dos árbitros e árbitros assistentes (bandeirinhas como são conhecidos). Mas de fato, o VAR trouxe ainda mais tempero ao entendimento sobre as regras do futebol.

Alguns defensores do uso da tecnologia alegam que as imagens do jogo, usadas em ângulos, closes e velocidades específicas, podem reduzir em muito eventuais erros dos árbitros. Me solidarizo com este argumento, mas concordo com o meu amigo, ex-árbitro e comentarista, Márcio Rezende Freitas, que defende que houve uma acomodação perigosa dos árbitros e assistentes que se “penduram” na tecnologia.

Nesta nova rotina, temos visto uma enormidade de decisões que ficam aguardando revisões de imagens do VAR. Pior que isso. Há casos, cada vez mais frequentes, de árbitros e assistentes que deixam de apontar uma marcação porque estão razoavelmente seguros que podem aguardar o auxílio de vídeo. Isto tem deixado os nossos jogos lentos, com muitas paralisações.

Um dos lances onde o VAR mais aparece é o impedimento. A regra recomenda que os lances duvidosos devem seguir até o fim, mesmo com os bandeirinhas podendo apontar ou não uma eventual irregularidade. Há casos muito claros onde não seria necessário o auxílio de vídeo, mas o conforto da regra e a insegurança dos árbitros fazem com que o lance prossiga, se estenda, sem necessidade.

Naqueles lances que são chamados de “ajustados”, onde o impedimento ou não é decidido por milímetros, temos outro componente, o olhar e habilidade humana na marcação da linha digital do impedimento. Quem nunca discordou daquelas linhas digitais traçadas perpendicularmente ao campo, que mostram os limites corporais do atacante e do defensor? Aí temos a decisão. Estava ou não impedido por milímetros? O chamado lance ajustado.

Esta situação mostra que ainda temos muito que evoluir no uso da tecnologia. A marcação das linhas é feita por um profissional, treinado na regra e na tecnologia, mas que faz uma marcação sensorial, passível de erro. Se queremos a evolução do futebol, minimizando os erros, é necessária e urgente a mudança da tecnologia para um traqueamento de vídeo (feito por Inteligência Artificial).

Com isso, a marcação a linha de impedimento seria feita pela máquina em cima da imagem. Ainda assim poderíamos ter discussões de erros e ajustes, mas já teríamos eliminado o fator humano, passional, que traria maior credibilidade à tecnologia e ao VAR. Enquanto este avanço não chega, ainda assim temos que celebrar o uso do VAR. Sem ele, a sensação de injustiça estaria mais presente no dia a dia do futebol.

Twitter @armandoBH69