Olimpíadas de Tóquio amplificaram o universo digital dos grandes eventos

No próximo domingo, dia 8 de agosto, terminam os jogos Olímpicos de Tóquio, o evento que tem mudado a forma de como nos relacionamos com o esporte. A mudança não se dá pelo alto padrão tecnológico da organização japonesa dos jogos. Não se dá pelos resultados inesperados de atletas pouco badalados ou pela derrota de favoritos inquestionáveis. Não se dá pela estreia de esportes como surf e skate. Não se dá pelas ações preventivas e combativas contra a pandemia do vírus da Covid-19. A grande novidade está no ambiente das redes sociais que tem alterado as relações, repercussões, noticiário e relevância de uma posição ou informação publicada.

Durante três semanas o mundo digital tem falado, comentado, criticado, aplaudido, xingado, festejado e lamentado cada passo dado por um atleta ou equipe. Muitos dos personagens digitais sequer têm a relevância esportiva real como no ambiente digital, mas nem por isso deixam de ser protagonistas. Entre nós, brasileiros, comunidade extremamente ativa nas redes sociais, rola bate-boca, posicionamento inclusivo, flertes, críticas, aplausos, celebrações, lamentações, e um grande número de publicações que geram um engajamento ainda maior com os jogos.

Personagens como Douglas, do vôlei masculino, Richarlyson, atacante da seleção brasileira de futebol, Pia Sundhage, técnica da seleção feminina de futebol, Rayssa Leal, a medalhista mais jovem do Brasil, os surfistas Ítalo Ferreira e Gabriel Medina, o amor amplificado à Rebeca Andrade, nossa medalhista da ginástica, e tantos outros atores do evento digital paralelo movimentam as redes sociais. Não falo sobre as oportunidades comerciais que este ambiente proporciona, mas sobre a amplificação de um feito ou de uma opinião, que viaja na velocidade da luz entre os milhões de seguidores pelo mundo.

Neste cenário, os jogos olímpicos mostram que as nossas relações com o esporte dependem cada vez menos do que cada atleta ou equipe produz nas competições. Estamos mais ligados ao significado de cada ação nos relacionamentos sociais/digitais. Somos mais ou menos fãs de alguém muito além do resultado que produzem competindo. É um universo tão grandioso que ainda estamos aprendendo a ver a real representatividade de um atleta ou resultado.

Nas redes sociais o que mais me impressiona é a crueldade contra uma opinião ou resultado. Criamos demônios e anjos com a mesma facilidade que elevamos uma pessoa à condição de exemplo a ser seguido e outra à condição de escória social. No esporte o ambiente tem se tornado menos tolerante. Deveria ser o contrário. Falamos de paixão, respeito, saber ganhar, saber perder. Temos que reaprender a nos relacionar. Exercitar a empatia. Viver o real significado do esporte que é competir. Fazer parte. Vencer ou perder é parte do jogo. Seguiremos sempre em frente, não importando o resultado ou a conquista de uma medalha. O esporte deveria ser apenas uma grande diversão.

Twitter @armandoBH69