Outubro Rosa: cuide da sua saúde e previna-se contra o câncer de mama

A fachada da Santa Casa BH – maior hospital filantrópico 100% SUS de Minas Gerais – ganha, mais uma vez, iluminação rosa em apoio ao “Outubro Rosa”. A iniciativa busca sensibilizar as mulheres sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama e do câncer de colo do útero. Em entrevista ao Radar Leste BH, a doutora Paula Clarke, mastologista da Santa Casa, orienta sobre a importância da campanha e alerta sobre a triste realidade do Brasil no combate à doença.

Santa Casa mudou de cor para lembrar o Outubro Rosa. Foto SCBH

Radar Leste BH – A campanha Outubro Rosa chegou. Acontece em vários países e procura conscientizar sobre a prevenção ao câncer de mama. Mas, quando surgiu a campanha e por que foi escolhido o mês de outubro?

A campanha no Brasil surgiu em 2002, quando o obelisco do Ibirapuera em São Paulo foi iluminado de rosa por um grupo simpatizante da luta contra o câncer de mama. Mas foi a partir de 2008 que o movimento ganhou força, com vários monumentos sendo iluminados de rosa, na intenção de alertar para o câncer de mama e incentivar a realização de mamografia. A escolha do mês ocorreu a partir de um movimento nos Estados Unidos. Na década de 90, a Fundação Susan G. Komen for the Cure distribuiu laços cor de rosa para os participantes da “Corrida pela Cura” em Nova York. O evento virou tradição e o movimento se espalhou pelo mundo, consolidando o mês de outubro como representante desta luta.

doutora Paula Clarke, mastologista da Santa Casa. Foto SCBH

Radar Leste BH – O câncer de mama é um dos com maior incidência no mundo?

 Sim, o câncer de mama é o tipo mais comum de câncer e a principal causa de morte por câncer em mulheres no mundo, com uma estimativa de quase 2 milhões de novos casos em 2020, com uma expectativa de aproximadamente 620 mil mortes pela doença.

Radar Leste BH – Quais são os números da doença no Brasil? Quantos casos são diagnosticados no País a cada ano?

 No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) estimou cerca de 66 mil novos casos para 2020 e quase 18 mil mortes causadas pela doença. A taxa de mortalidade em relação ao número de casos é mais alta no Brasil quando comparado a países desenvolvidos e o diagnóstico é frequentemente realizado em fases mais avançadas. Além disto, existe uma maior prevalência entre mulheres jovens com menos de 40 anos, representando 17% dos casos da doença, quando comparado aos países desenvolvidos, em que este grupo representa apenas cerca de 7% doas casos.

Por causa da pandemia, o número de diagnósticos caiu muito, pois o rastreamento foi prejudicado e o acesso a serviços de saúde também. Portanto os números reais podem não atingir esta estimativa, o que não indica que a doença não se desenvolveu, mas sim, que não foi diagnosticada, o que provavelmente irá fazer aumentar ainda mais o número de casos da doença mais avançada.

Radar Leste BH – A cobertura de mamografias para a detecção da doença pelo SUS atende as especificações da Organização Mundial de Saúde (OMS)?

A OMS preconiza como ideal uma cobertura mamográfica de 70%. No Brasil estes números são muito inferiores, com a realização de mamografia de forma regular em apenas 23% da faixa etária na qual o exame é recomendado no SUS, que seria de 50 a 69 anos.

 Radar Leste BH – Quanto mais cedo o diagnóstico melhor será a qualidade de vida das pacientes. Essa frase se aplica à realidade das pacientes brasileiras?

De fato, o diagnóstico precoce está associado à menor mortalidade pela doença, maiores chances de cura e tratamento menos agressivo, ou seja, maior chance de cirurgias menores e possibilidade de escapar de uma quimioterapia. Tudo isso impacta na qualidade de vida: em sua imagem corporal, relações afetivas, equilíbrio psicológico, entre outros.

Como no Brasil temos ainda um grande número de mulheres com diagnóstico em estágios mais avançados, acontece o oposto: muitas mulheres recebem uma somatória dos tratamentos – cirurgia mais extensa da mama e da axila, área mais extensa de radioterapia, mais quantidade de quimioterapia, que provocam repercussões durante o tratamento e também depois que ele ocorre.

Radar Leste BH – A educação em saúde e a conscientização sobre o câncer de mama são remédios poderosos?

Sem dúvida. É preciso reforçar que hábitos de vida saudáveis, como ingerir alimentos de qualidade, pouca gordura, evitar o consumo de bebida alcoólica e a prática atividade física regularmente são medidas protetoras, ou que reduzem o risco de desenvolver câncer de mama.

E uma vez que a mulher compreende o poder da mamografia em diagnosticar um câncer de mama que mede milímetros, antes de se tornar palpável ou de provocar alterações na pele ou secreção dos mamilos, ela pode assumir esta responsabilidade de seguir à risca o rastreamento e mudar a sua própria história, caso venha a ser diagnosticada com câncer de mama.

Por isso conscientizar a população sobre modificar seu estilo de vida e os benefícios de se fazer mamografia, mesmo quando não apresenta nenhum sintoma, bem como apalpar as mamas de forma a identificar qualquer alteração de forma precoce, é a melhor arma contra o câncer de mama.