Paraíso: o bairro da igreja que deu trabalho ao bispo

E quem nos conta uma parte memorável da história do bairro Paraíso é o Sérgio Antônio de Oliveira, morador, vicentino e policial federal aposentado. Ele também é presidente do MOC-ECO (Movimento em Defesa da Serra do Curral) e presidente da Associação dos Moradores Jonas Veiga 1 e 2 e Pirineus.

O Paraíso faz divisa com o Vera Cruz, Serra, Pompéia, Baleia e Saudade e Serra do Curral. Está localizado onde antes existia a colônia Bias Fortes e parte da Vila Paraíso. A outra parte da vila foi incorporada ao Santa Efigênia. “No início da formação do bairro, em meados dos anos 20 do século passado, moravam aqui os funcionários da antiga Rede Ferroviária Federal, militares do Primeiro Batalhão Geral, como o meu avô, e italianos que até hoje vivem em uma área entre o Paraíso e o Pompéia”, lembra Sérgio.

Este é o Sérgio, em frente a igreja que deu trabalho ao bispo (foto Sérgio Antônio)

Sérgio se recorda da avó, Maria Francisca de Paula, contar um episódio que teria marcado a história do Paraíso. A comunidade de descendentes de escravos já havia feito uma capela para Nossa Senhora do Rosário. Um morador, conhecido como ‘Zé Caetano’, descendente de italianos, doou um terreno para a construção de uma nova igreja ao padre Rafael, pároco da época. Mas, impôs uma condição. Que o novo templo tivesse o nome de uma padroeira italiana.

Esta era a antiga igreja do bairro Paraíso (acervo Sérgio Antônio)

Criou-se um entrave para o bispo da época, Dom Cabral, resolver. Os descendentes de escravos queriam que fosse mantido o nome da igreja deles. O dono do terreno reivindicava uma santa da Itália E, bem perto dali, no bairro Pompéia, já havia uma paróquia Nossa Senhora do Rosário de Pompéia.  A solução criada pelo pontífice foi mediar a possibilidade de conflito, cirando um novo nome: Paróquia Nossa Senhora Medianeira e Santa Luzia. O desejo dos italianos e dos descendentes de escravos foi atendido.

A igreja foi construída na rua João Gomes, 157, em 1955, e não houve mais problema, desde então, garante o Sérgio.