PM é morto em Salvador após um possível surto

Uma das ocorrências que costuma eclodir com pouca frequência, mas com elevado estresse e alta cobertura da mídia, é conhecida nos meios policiais como Gerenciamento de Crise. A polícia treina exaustivamente para este tipo de atividade, mas em todas elas sempre será um novo aprendizado.

Podemos conceituar o Gerenciamento de Crise como sendo “um evento ou situação crucial que exige uma resposta especial da polícia, a fim de assegurar uma solução aceitável”, onde o fato acontece de forma inesperada, precisa ser resolvido naquele momento e sempre haverá o risco de se perder uma vida. Nestes casos cabe a polícia tentar preservar a vida de todos que estiverem envolvidos, aplicar a Lei e restaurar a normalidade perdida por aquele acontecimento. Dentro do que for possível.

No último dia 28/03, o policial militar Wesley Soares, que trabalhava em Itacaré-BA, se apresentou para o trabalho e pegou um fuzil, portando também uma Pistola e em seu carro foi para Salvador, mais especificamente para o Farol da Barra. Ali começou a fazer disparos com o fuzil para o alto, jogou bicicletas de quem estava nadando no local bem como os isopores dos ambulantes no mar. A PM da Bahia imediatamente isolou o local e tentou a mais importante ferramenta para conter o colega, negociar, mas nada adiantou

Tentaram trazer a família dele de helicóptero do interior do estado, e assim tentar fazer com que o PM desistisse do seu intento de atirar em quem se aproximasse e entregasse a sua arma. A família não conseguiu chegar a tempo.

O PM que parecia estar em “surto”, uma crise psicológica, falava algumas frases contra o governador do estado, como uma desonra imposta contra os policiais, tendo pintado o rosto de verde e amarelo. Até o momento não se sabe o que desencadeou toda este surto e a fúria dele.

Após cerca de 04 horas mais ou menos de tentativa de negociação frustrada, o PM Wesley fez disparos em direção ao contingente do BOPE colocando em risco as suas vidas, de uma distancia bastante curta, não atingindo nenhum deles. Diante da iminência da morte destes policiais eles acabaram revidando os tiros que acabaram acertando o Wesley, que ferido foi levado imediatamente ao hospital onde veio a falecer.

O policial, como qualquer outro ser humano tem também os seus problemas, nada diferente das demais pessoas e a qualquer momento isto pode interferir na resolução de uma ocorrência policial. Há muitas críticas contra os policiais do BOPE/BA que acabaram atirando no próprio colega, mas somente quem estava no local, sob ameaça de ser morto por ele que estava passando por problemas psicológicos sérios é que podem aquilatar se a tomada de decisão de abrir fogo contra Wesley foi ou não acertada.

Eu me abstenho de criticá-los, pois não estava presente e somente eles é que poderiam tomar uma decisão letal ou não e em qual momento. Talvez a intenção tenha sido de apenas deixá-lo imobilizado e não disparar o seu fuzil e ferir outras pessoas, e um disparo no calor dos acontecimentos tenha sido efetuado ao contrário do que desejavam e pode ter atingido alguma parte do corpo que o levou a óbito.

Tomar uma decisão no calor dos acontecimentos, passando por todas as dificuldades daqueles que estavam presentes, resolvendo, orientando, negociando, se escondendo para não serem atingidos, de repente precisam decidir em questões de segundos sobre a vida ou a morte de alguém. Não é fácil para ninguém. Muito menos para quem tem como profissão, salvar os outros.

Nossas condolências a toda a família do Wesley e que o BOPE/BA realize internamente uma discussão sobre os fatos, o que com certeza acontecerá, pois é uma norma após uma operação, para que em uma próxima situação consigam atuar sem que haja a necessidade de disparar uma arma de fogo e consigam resolver pela negociação. Sem nenhuma crítica a ação realizada, muito pelo contrário, atuaram como deveriam ter feito.

@elsonmatosdacosta