Policiais doentes; quando quem deveria te proteger precisa de ajuda

Quase aconteceu uma tragédia, recentemente, em uma clínica de Raio X no bairro Santa Efigênia, Região Leste de Belo Horizonte. Um homem estava sem a máscara de proteção contra a COVID-19, no interior do estabelecimento. Ele foi chamado a atenção por uma mulher. Aparentemente exaltado, acabou discutindo também com um homem que o viu xingando a mulher. Ele se virou contra esta pessoa, ainda mais bravo e sacou de uma arma de fogo da cintura. Posteriormente o homem que sacou da arma foi identificado como um Policial Militar aposentado. O que leva um policial, já experiente a tomar uma atitude semelhante?

Quando o policial apresenta qualquer problema, seja no âmbito do adoecimento físico, uma grande carga de trabalho e o sofrimento psíquico, estes sintomas acabam sendo minimizados pelo superior como apenas uma forma de conseguir ser dispensado do serviço, o que acaba agravando este quadro. Aqueles que têm problemas psíquicos, dificilmente irão procurar ajuda, pois serão considerados fracos para a profissão que escolheram. Então, preferem continuar trabalhando e sofrendo até que uma desgraça aconteça, com ele ou com outras pessoas.

Existem muitas reclamações no que diz respeito a que o policial dorme mal, trabalha sob pressão, ficar alerta 24 horas por dia, nervoso, triste e cansado, baixa qualidade de vida e as condições e situações do trabalho, o que dificulta realizar um bom serviço quando em contato com o público. O trabalho policial por si só é uma grande fonte de estresse e, portanto, gera enfermidades, o que acaba causando problemas pessoais, profissionais e familiares.

Dentre os maiores problemas enfrentados por estes valorosos profissionais, ainda têm que assistir a cenas violentas como a presença em um local onde uma criança foi morta com requintes de crueldade, dentre outros. Ou logo depois de terem participado de um confronto armado e todos rindo e satisfeitos de terem matado o oponente e com a sua equipe onde apenas um foi baleado na perna.

Na verdade isto tudo vai transformando o sofrimento psíquico do policial, que acumulando situações estressantes uma em cima da outra, bem como ao tomar conhecimento de uma grande operação em que irá participar, o estresse chega antes de realizar o serviço e principalmente durante o serviço. A adrenalina sempre estará presente no corpo do policial em altas doses.

Ao aposentar, ou mesmo ainda em serviço, a sociedade não consegue entender qual o motivo que levou um policial a tomar determinadas atitudes totalmente contrárias ao que aprendeu e que seja ilegal. Sacar uma arma de fogo para um cidadão comum em uma simples discussão como acima descrito, quando não acontece algo pior neste momento. São as doenças que qualquer um pode adquirir ao longo de uma vida muito estressante e que não foi bem cuidada no momento adequado.

@lsonmatosdacosta

Fontes:

noticias.r7.com
cienciaesaudecoletiva.com.br
orcid.org – Impacto das atividades profissionais na saúde física e mental dos Policiais Civis e Militares do Rio de Janeiro