Projeto A.r.b.o.r.i.z.a. BH traz o verde de volta ao Santa Tereza

Faz sentido que a cor da esperança seja o verde. Movida pela expectativa de ver mais árvores plantadas no Santa Tereza, a cantora Luciana Vieira começou, há nove anos, um trabalho solitário, que depois se tornou coletivo e que hoje dá frutos, flores, sombra, passarinhos…e vida ao bairro. Em 2011 a Luciana começou a cobrar insistentemente o replantio de mudas junto à Prefeitura de BH pelo número de telefone 156 e por outros canais disponíveis junto à administração municipal.

Quatro anos depois, iniciou árduo e lento trabalho de mapeamento de parte das 64 ruas do Santa Tereza para identificar onde haviam árvores plantadas, tocos remanescentes e áreas livres para plantio. Em em 2019, após contato feito por Flávia Julião, da Associação dos Moradores do Bairro de Santa Tereza, mais moradores dispostos a ajudar, somaram ao trabalho iniciado e assim nasceu o Coletivo A.r.b.o.r.i.z.a. BH.

Os integrantes do A.r.b.o.r.i.z.a. BH, cerca de 80, entre articuladores e voluntários, atuam de braços dados com a população e o poder público. Seguem as orientações da Prefeitura de BH sobre o porte e espécie adequados para cada calçada. E as mudas mais pedidas, segundo Luciana, são as quaresmeiras roxas e rosas, – campeãs -, e os ipês amarelos. Quem decide amadrinhar ou apadrinhar um plantio investe R$ 60,00 que asseguram a aquisição da muda, tutor (madeira cilíndrica que ampara a muda em fase de crescimento) e terra vegetal adubada. Além disso, recebe orientações sobre o manejo correto, como regar e cuidados essenciais à sobrevivência da árvore.

Luciana, de blusa clara, em ação antes da pandemia. Foto Instagram 

Segundo Luciana, o envolvimento da comunidade tem sido surpreendente. Mesmo com a pandemia, até o mês passado foram 30 plantios. Na primeira quinzena deste mês, outros 16. No sábado passado, dia 21, mais 20 mudas foram plantadas.

Muitas ações foram adotadas pelos voluntários. Uma delas, junto a outro coletivo, o Mais Árvores, foi acionar o Ministério Público para cobrar o que a Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza e o município não cumpriu até o momento em Santa Tereza: o mínimo de uma árvore para cada habitante. O bairro tem 15 mil moradores. Os integrantes iniciaram visitas a gabinetes de vereadores para sensibilizá-los sobre a urgência da arborização e pretendem implementar outras iniciativas. Querem que a proposta do coletivo A.r.b.o.r.i.z.a. BH crie raízes em outros bairros. E os frutos começam a ser colhidos. Moradores do Sagrada Família e do Jardim América, na região Oeste, já fizeram contato.

E para um futuro bem próximo, mais ideias são semeadas. Que todas as árvores plantadas recebam uma etiqueta com informações técnicas sobre a espécie. Que escolas levem os alunos para caminhar pelo bairro e reconheçam como a rearborização é fundamental para a vida de todos. “Mais que rearborizar, nós queremos cuidar do que temos e, por consequência, resgatarmos o sentimento de pertencimento coletivo. Nós podemos fazer isso”, destaca Luciana.

Não tem idade. Basta querer participar. Foto Instagram

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 A.r.b.o.r.i.z.a. BH recebe apoio 

O BH ambientalista, professor universitário e criador do Projeto Manuelzão, de despoluição do Rio das Velhas, Apolo Heringer, defende ações como o A.r.b.o.r.i.z.a. BH. Para Heringer, as espécies de mudas adequadas, plantadas e bem cuidadas vão melhorar o clima, atrair os pássaros, trazer sombra, absorver o gás carbônico e receber a água da chuva, entre outros benefícios.

O ambientalista recomenda o plantio de árvores típicas do cerrado e, por espécies frutíferas que não ultrapassem os 3m de altura, como limão, por exemplo. Árvores de grande porte como abacateiros e mangueiras, segundo Apolo, só no quintal! O ambientalista lamenta que muitas leis ambientais foram feitas e são aplicadas por quem não entende de meio ambiente. “Isso é um grande entrave para a promoção da educação ambiental”.

E se você tem vontade de plantar de forma correta na calçada, também pode buscar informações e retirar uma muda gratuitamente em uma das cinco unidades do CEVAI (Centro de Vivência Agro-Ecológica) da capital. Uma delas fica no Taquaril. Criado em 1993, o espaço apóia várias associações locais e desenvolve inúmeras ações comunitárias. Entre elas, a agricultura sem agrotóxicos, produção de plantas medicinais e ornamentais. Clique aqui e se informe sobre o trabalho do CEVAI.

Apolo Heringer, ambientalista. Foto Apolo

Resposta da PBH

O cidadão pode solicitar, por meio do Portal de Serviços da Prefeitura, o plantio de mudas em vias públicas. Se o local estiver em conformidade com as regras, vigentes na Deliberação Normativa nº 69/10 do Conselho Municipal de Meio Ambiente (COMAM), a Prefeitura de Belo Horizonte realiza o serviço. Até outubro de 2020, foram plantadas 6.855 mudas em áreas verdes públicas e 2.465 em áreas públicas (passeios, praças, etc.), totalizando 9.287 mudas plantadas.
Para fazer a solicitação de plantio de árvores por meio do Portal de Serviços da PBH, acesse este link: https://servicos.pbh.gov.br/. Após esse processo, é só digitar ‘árvore’ no campo de busca e escolher a opção desejada.